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Temer torra toda sua munição para barrar a primeira denúncia

31/07/2017







Por Tereza Cruvinel 

Do Brasil 247

E se vier uma segunda denúncia de Rodrigo Janot? Perguntam-se alguns aliados de Temer. Para vencer a votação de quarta-feira, da denúncia por corrupção passiva, ele torrou toda a munição de que poderia dispor, ficando sem reserva para enfrentar uma provável segunda denúncia de Janot, por obstrução da Justiça e formação de organização criminosa: ao custo de R$ 4,1 bilhões, Temer liberou praticamente todo o estoque de emendas orçamentárias obrigatórias (exceto as contingenciadas juntamente com os R$5,9 bilhões da semana passada, por força de lei), nomeou indicados para todos os cargos vagos e comprometeu a própria defesa do Meio Ambiente, para atender aos ruralistas, com um projeto que reduz áreas de reservas florestais, como a do Jamanxim.

Com a MP 759, permitiu a legalização de terras na Amazônia invadidas até 2011 (antes era até 2007). Nestes últimos dias, o toma-lá-dá-cá tomou ares de sexo explícito, como disse o ex-chanceler Celso Amorim.

Embora o governo venha alardeando contar com mais de 250 votos a favor de Temer, ainda existe o risco de não ser obtido na quarta-feira o quórum de 342 votos para a abertura da sessão, o que vai depender da postura que a oposição adotar: se resolver marcar presença, ajudará o governo a ganhar.  Se optar pela obstrução da sessão, pode não haver votação, ficando Temer, como na comparação de Rodrigo Maia, tal qual um paciente com a barriga aberta. Maia, entretanto, assegurou neste domingo que haverá quórum.

De todo modo, mesmo ganhando, Temer torrou toda a sua munição imoralmente fisiológica neste primeiro round.  Sobrevindo a segunda denúncia, teremos o resultado da  disputa entre Meirelles e a equipe palaciana, em torno da meta de déficit fiscal.  A área política vem insistindo na elevação do déficit de R$ 139 bilhões previstos para este ano. Para cumpri-la, o que já vem sendo considerado impossível, é que o governo subiu impostos, cortou R$ 5,9 bilhões do orçamento e remanejou R$ 7,5 bilhões do PAC na semana passada.   Se estiver novamente com o pescoço a prêmio, não é difícil advinhar de que lado a corda vai arrebentar. Será hora de rifar Meirelles para que, com a gastança liberada por um déficit maior, Temer possa encontrar outros meios para cooptar deputados.  Haverá consequências econômicas, é claro, e novamente o país pagará o pato, como já vem pagando.

Nos últimos dias, além de garantir que tem votos para ganhar no plenário, fontes do governo vêm dizendo reservadamente, mas com muita convicção,  que Janot não apresentará uma segunda denúncia contra Temer. Quando se pergunta de onde vem esta certeza, fazem ar de mistério.  Para evitar especulações sobre as razões de sua suposta rendição, Janot devia se apressar.

Tereza Cruvinel é uma das mais respeitadas jornalistas políticas do País 

 


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