Este website utiliza cookies
Utilizamos cookies para melhorar a sua experiência, otimizar as funcionalidades do site e obter estatísticas de visita. Saiba mais
SINDICATO DOS SERVIDORES PÚBLICOS FEDERAIS NO ESTADO DE PERNAMBUCO
(81) 3131.6350 - sindsep@sindsep-pe.com.br
Publicado: 25/05/2026
Do Sindsep-DF
Via Condsef/Fenadsef
O Sindicato dos Servidores Públicos Federais no Distrito Federal (Sindsep-DF) manifesta-se em resposta ao manifesto de 14 associações financeiras, lideradas pela Febraban, publicado em 20 de maio de 2026, em favor da PEC 65/2023.
O protagonismo do mercado na defesa da autonomia financeira da autarquia exige cautela institucional. A literatura especializada e evidências recentes demonstram que o setor regulado mantém relações estruturais com o Banco Central marcadas por porta giratória, captura cultural e risco de cooptação.
O apoio setorial à PEC 65 evidencia uma contradição: ao mesmo tempo em que afasta a autoridade monetária do controle democrático, essa reforma perpetua a porosidade do órgão às influências do próprio mercado.
Considerando que o BC atua diariamente na regulação, supervisão e fiscalização do sistema financeiro nacional, a adesão das principais associações do mercado à PEC 65/2023 soa, no mínimo, dissonante.
Causa estranheza ver o setor regulado, historicamente resistente ao fortalecimento da capacidade fiscalizatória do Estado e à destinação de verbas para o serviço público, vir agora perfilar-se pelo "reforço orçamentário e do quadro de pessoal" do Banco Central, sob o argumento de conferir "autonomia financeira" à autoridade monetária.
A recomposição orçamentária e de pessoal do Banco Central é demanda legítima e antiga, defendida há anos pelos servidores da autarquia, situação similar a muitos outros órgãos públicos. Os recentes concursos - depois de mais de 10 anos em que não eram realizados, no caso do BC - apenas iniciam uma recomposição, mas a conta gotas, e justamente em virtude das restrições fiscais defendidas encarniçadamente pelo sistema financeiro.
O atendimento da demanda por mais recursos orçamentários não exige, necessariamente, uma alteração constitucional, como alertaram parlamentares de distintos partidos políticos durante as discussões da PEC 65 no Senado.
Por que, então, a insistência e a robusta e sistemática campanha em favor da PEC 65, desde que ela foi patrocinada e articulada pelo ex-presidente Roberto Campos Neto?
Ocorre que as modificações no regime jurídico do Banco Central propostas pela PEC 65/2023, em suas incontáveis versões, não se limitam a tratar de meios materiais para o órgão exercer suas funções.
São alterações na própria relação institucional entre a autarquia e os poderes constituídos, reduzindo canais de controle democrático e prestação de contas perante o Congresso Nacional, o Tribunal de Contas da União e a sociedade civil. É essa "independência seletiva" — que afasta o regulador do Estado, mas o mantém poroso aos interesses do mercado — que interessa ao setor financeiro.
A literatura acadêmica sobre captura regulatória ensina que o endosso explícito de agentes regulados a mudanças no estatuto jurídico de seu supervisor deve ser tratado como sinal de alerta, não como aval de boas intenções.
O fenômeno da "porta giratória", amplamente documentado no Brasil e no exterior, demonstra que a circulação de profissionais entre o regulador e o setor privado produz alinhamento de perspectivas, homogeneidade cognitiva e, em casos extremos, cooptação ilícita.
As evidências nacionais são contundentes:
Argumentos alternativos: por que outras vias são possíveis
O Sindsep-DF rejeita a falsa dicotomia entre "autonomia financeira" e "paralisia institucional". As legítimas necessidades de recomposição orçamentária e de pessoal do Banco Central podem — e devem — ser atendidas por vias infraconstitucionais, sem necessidade de alterar o regime jurídico da autarquia:
A insistência na via da PEC 65/2023 alinha-se à agenda do mercado financeiro — o mesmo mercado que mantém laços estruturais com o regulador por meio da porta giratória e da captura cultural.
O Sindicato dos Servidores Públicos Federais no Distrito Federal (Sindsep-DF) defende o arquivamento da PEC 65/2023 para que se faça luz verdadeira sobre temas relegados a segundo plano, como, por exemplo:
O fortalecimento orçamentário e de pessoal do Banco Central é uma demanda justa e compartilhada pelos servidores da Casa. Contudo, deve ser viabilizado por vias que preservem os mecanismos de controle democrático e prescindam do endosso interessado do setor regulado.
O histórico da regulação bancária nacional — marcado por episódios de porta giratória, captura cultural e cooptação — recomenda cautela institucional.