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SINDICATO DOS SERVIDORES PÚBLICOS FEDERAIS NO ESTADO DE PERNAMBUCO
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Publicado: 15/05/2026
Enquanto a classe trabalhadora brasileira luta para ter reconhecido mais um dia de folga com a família por meio do fim da escala 6x1, enquanto trabalhadoras e trabalhadores passam a vida se dedicando ao trabalho apenas para pagar contas e se aposentar com um pouco de dignidade ao final, Flávio Bolsonaro embolsou milhões do banqueiro envolvido com o maior escândalo de corrupção financeira do Brasil, Daniel Vorcaro.
Segundo reportagem do portal The Intercept Brasil, o valor negociado com Vorcaro para o filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, teria chegado a US$ 24 milhões — cerca de R$ 134 milhões na cotação da época. Desse total, R$ 61 milhões teriam sido liberados entre fevereiro e maio de 2025.
No telefonema dado por Flavio Bolsonaro para Daniel Vorcaro e divulgado pelo The Intercept, o filho 01 de Jair cobrou o restante do dinheiro. Ou seja: R$ 73 milhões.
Mas não para por aí. A produtora do filme, Karina Ferreira da Gama, recebeu R$ 100 milhões da Prefeitura de São Paulo, por serviços relacionados a fornecimento de internet. Investigações constataram que apenas a ONG da produtora participou da licitação e que a Prefeitura pagou R$ 26 milhões antes dos serviços prestados.
E tem mais! O deputado federal Mário Frias, produtor executivo do filme, destinou emendas parlamentares no valor de R$ 2 milhões para Dark Horse.
Detalhe: o filme bolsonarista bancado por Vorcaro custou três vezes mais do que Ainda Estou Aqui (R$ 45 milhões) e cinco vezes mais do que o Agente Secreto (R$ 28 milhões). E enquanto Ainda Estou Aqui deu ao Brasil o seu primeiro Oscar e o Agente Secreto dois Globos de Ouro, Dark Horse tratará de uma fase sombria da história deste país.
Depois que o site The Intercept Brasil revelou o áudio da ligação telefônica, Flávio Bolsonaro emitiu uma nota tentando justificar o telefonema em que chama Daniel Vorcaro de irmão. Segundo Flávio, o dinheiro não era público. Afinal, o Master é um banco privado.
“Mas é um banco privado investigado por ter crescido por meio de falcatruas envolvendo dinheiro público e por promover o maior escândalo de fraude financeira deste país. E a ligação foi feita depois que o escândalo já era público. É muito simbólico que o nome deste filme seja Dark Horse quando a gente sabe que Dark é um termo em inglês que significa principalmente escuro, sombrio ou trevas. Esse filme não poderia ter um nome melhor”, comentou o coordenador-geral do Sindsep-PE, José Carlos de Oliveira.
Depois da nota de Flávio Bolsonaro, o deputado Mário Frias e a produtora GOUP Entertainment emitiram notas dizendo que o filme não recebeu um "único centavo" do banqueiro Daniel Vorcaro. Mas se isso aconteceu mesmo, para onde teriam ido os R$ 61 milhões. A Polícia Federal investiga se esses recursos de Daniel Vorcaro teriam sido enviados para Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
O esquema Master
A família Bolsonaro dizia que iria limpar o país da corrupção, mas montaram um esquema financeiro mais sujo da história do Brasil. Em fevereiro de 2019, o Banco Central não autorizou Daniel Vorcaro a comprar o banco Master, porque Daniel não teria dinheiro suficiente para se tornar banqueiro.
Mas naquele mesmo ano, Bolsonaro indicou Campos Neto para a Presidência do Banco Central. E, no mês de outubro, Vorcaro recebe a autorização para adquirir o banco e passa a faturar alto com o governo Bolsonaro.
Primeiro, Bolsonaro abriu o caminho no INSS e o banco Master passou a descontar empréstimos direto das aposentadorias e ganhou milhões às custas das aposentadas, aposentados e pensionistas. Em seguida, Bolsonaro libera descontos direto no Auxílio Brasil, programa que ficou no lugar do Bolsa Família. E o banco Master volta a lucrar milhões com mais de 300 mil contratos.
Durante o governo Bolsonaro, o Master passou a dobrar de tamanho a cada ano que se passava. Isso sob a gestão de Campos Neto e dos ex-dirigentes do Banco Central (BC) investigados e que hoje estão usando tornozeleira eletrônica, Paulo Sérgio Neves de Souza (ex-diretor de Fiscalização) e Belline Santana (ex-chefe de departamento da área de supervisão bancária).
Em 2022, o sócio de Vorcaro, Fabiano Zettel, investe R$ 5 milhões nas campanhas políticas de Tarcísio de Freitas, para o governo de São Paulo, e na reeleição de Bolsonaro.
Ao assumir o governo, Tarcísio privatiza a Empresa Metropolitana de Águas e Energia (EMAE) e a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), duas empresas estratégicas para o abastecimento de água, energia e a gestão dos recursos hídricos do estado. Na privatização da EMAE, um fundo criado semanas antes do leilão vence a disputa com apoio de uma sofisticada estrutura financeira ligada ao Banco Master.
Em seguida, Tarcísio privatiza a Sabesp, vendendo ações 44% abaixo do valor real da empresa. A empresa passou a ser comandada por um dos mesmos empresários ligados às articulações da EMAE. Pouco tempo depois, a Sabesp privatizada compra a EMAE, fechando um ciclo que hoje está sob suspeita.
Quando Lula assume a Presidência do Brasil, indica o economista Gabriel Galípolo para o Banco Central. Ao assumir, Galípolo enxerga problemas no balanço do Master e monta uma auditoria para investigar a veracidade dos números apresentados.
Quando o Master passou a apresentar problemas, entrou em ação outro aliado dos Bolsonaro. O ex-governador de Brasília, Ibaneis Rocha. Ibaneis injetou R$ 16,7 bilhões no Master, entre 2024 e 2025, via Banco do Estado de Brasília (BRB). Em seguida, tentou comprar o Master com o mesmo banco público.
Após uma análise minuciosa na documentação do Master, o Banco Central constatou que os balanços do banco de Vorcaro incluíam créditos consignados fictícios e ativos sem lastro real.
Importante lembrarmos também que o BRB foi o mesmo banco que liberou um empréstimo de milhões para Flávio Bolsonaro comprar uma luxuosa mansão em um dos bairros mais nobre de Brasília por R$ 6 milhões. O imóvel de mais de 2 mil metros quadrados teve o financiamento quitado 27 anos antes do previsto.