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As entregas do próximo governo Lula


Todos os elementos estão à mão. Basta organizá-los em grupos de trabalho, com determinações objetivas e sob o comando do próprio Presidente

Publicado: 28/05/2026

Lula - Foto: Marcelo Camargo - Agência Brasil

Do GGN
Por Luis Nassif

Se o governo Lula pretende preparar as ‘entregas’ do próximo mandato, a receita é objetiva: organizar, ainda neste ciclo, os grupos de trabalho que vão mapear, projetar e executar as cadeias produtivas dos novos setores estratégicos da economia brasileira — com ênfase nas terras raras, nos datacenters e inteligência artificial, e na bioeconomia da Amazônia.

Todos os elementos estão à mão. Basta organizá-los em grupos de trabalho, com determinações objetivas e sob o comando do próprio Presidente da República.

Passo 1 — Constituição dos Grupos de Trabalho

Os grupos de trabalho devem reunir os principais atores institucionais capazes de traduzir visão estratégica em capacidade produtiva real. A arquitetura proposta articula quatro conjuntos de atores:

1.1  Associações Setoriais da Indústria de Base

  • ABDIB — Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base
  • ABIMAQ — Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos
  • ABINEE — Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica

1.2  Centros de Inteligência Estratégica do Governo

  • BNDES — Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
  • IPEA — Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
  • FINEP — Financiadora de Estudos e Projetos
  • CGCEE — Comitê de Gestão da Competitividade e Eficiência Energética

1.3  Grupos de Apoio às Pequenas e Médias Empresas

  • Sistema S (SENAI, SEBRAE, SESI e correlatos)
  • Organização Brasileira das Cooperativas (OCB)
  • MST — Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra

1.4  Ministérios Estratégicos

Participação dos principais ministérios ligados à economia, ciência e tecnologia, desenvolvimento social e meio ambiente — com coordenação transversal por especialistas em política industrial, análise setorial e tecnologia.

Eixos Temáticos dos Grupos de Trabalho

Cada grupo de trabalho será organizado em torno de metas específicas, correspondentes aos novos vetores de desenvolvimento:

Mapeamento completo da cadeia, da extração ao processamento e à manufatura de insumos estratégicos, com identificação de parceiros internacionais e empresas nacionais aptas a operar em cada elo.

  Eixo 2 — Datacenters, Energia Verde e IAs Nacionais  

  Eixo 3 — Bioeconomia da Amazônia  

Estruturação de cadeias produtivas sustentáveis baseadas na biodiversidade amazônica, com ênfase em produtos de alto valor agregado, carbono, biotecnologia e mercados internacionais.

Cada grupo de trabalho deverá produzir, ao final de seu ciclo, um conjunto definido de entregas concretas e mensuráveis. São oito dimensões de trabalho:

  1. Construção do mapa completo da cadeia produtiva do setor, com identificação dos elos ausentes e das interdependências críticas.
  2. Identificação das empresas nacionais com capacidade técnica e financeira para desenvolver projetos em cada elo da cadeia.
  3. Identificação de empresas internacionais parceiras — com foco em transferência de tecnologia e co-investimento produtivo.
  4. Montagem do pacote de estímulos financeiros e tributários (crédito subsidiado, desoneração, desonerações setoriais, fundos de venture capital público).
  5. Inclusão, em cada grupo de trabalho, de agenda específica para pequenas e médias empresas — mapeando segmentos com maior potencial de absorção por MPEs e cooperativas.
  6. Identificação dos setores prioritários dentro de cada cadeia, com critérios de seleção baseados em valor estratégico, geração de emprego e potencial exportador.
  7. Identificação dos benefícios regionais por estado — especialmente aqueles onde as empresas serão instaladas, articulando federalismo fiscal e desenvolvimento regional.
  8. Montagem de políticas de estímulo à transição do capital financeiro para os novos setores produtivos, reduzindo a dependência do carry trade e da rentabilidade puramente financeira.

Nota de Método

O êxito do programa depende de que os grupos de trabalho não sejam consultivos — mas executivos. A diferença está na clareza das metas, na autoridade de coordenação e no compromisso de que cada eixo produz, no prazo definido, um plano setorial aprovado pelo governo e com dotação orçamentária correspondente. O modelo histórico mais próximo são os Grupos Executivos do governo JK: estruturas ágeis, centradas em metas, com capacidade de transitar entre governo, setor privado e academia.

A simples montagem dos grupos e o início dos trabalhos ajudará no início da construção de uma perspectiva de futuro, capaz de trazer de volta o otimismo em relação ao país.



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