SINDICATO DOS SERVIDORES PÚBLICOS FEDERAIS NO ESTADO DE PERNAMBUCO

(81) 3131.6350 - sindsep@sindsep-pe.com.br

Home | Notícias

BdF Explica: O que são terras raras e por que despertam o interesse de Trump?


As terras raras fazem parte de um grupo de elementos conhecidos como minerais críticos

Publicado: 15/09/2025

Devido à utilidade e à alta demanda, Donald Trump busca assegurar a independência do recurso estratégico, recorrendo a negociações e pressões - Foto: Jim Watson/AFP

Do Brasil de Fato

Você talvez já tenha ouvido falar de terras raras, que estão no centro de disputas internacionais que vão da guerra da Ucrânia, da ameaça dos Estados Unidos de anexar a Groenlândia e até como forma de drible do Brasil contra o tarifaço do presidente Donald Trump.

As terras raras fazem parte de um grupo de elementos conhecidos como minerais críticos que incluem também lítio, cobre, manganês e nióbio, fundamentais para tecnologias do futuro de smartphones a equipamentos militares de ponta. Chamados de ouro do século 21, atiçam a cobiça de todo o mundo.

Apesar do nome, não são exatamente raras. O que é raro é conseguir extrair e isolar no grau de pureza necessário para a indústria, uma vez que geralmente existem na natureza misturados com outros minérios e separá-los tem alto custo.

No total, são 17 elementos químicos com capacidade magnética e de condutividade, tornando-se “super ímãs” que permitem a construção de peças de tecnologia minúsculas, leves e resistentes que giram, por exemplo, turbinas eólicas e motores elétricos. Por isso, são indispensáveis para a fabricação de telas, carros elétricos, turbinas eólicas, mísseis supersônicos e celulares, entre outros produtos.

Para resumir, as terras raras são a base da transição energética global. Até 2050, a Organização das Nações Unidas (ONU), a demanda pelos elementos deve crescer 1,5 mil por cento, além da capacidade hoje de produção mundial. Atualmente, segundo a Agência Internacional de Energia, a China concentra 60% da produção global e 90% do refino de terras raras. São os Estados Unidos, no entanto, que são os maiores consumidores.

Devido à utilidade e à alta demanda, Donald Trump busca assegurar a independência do recurso estratégico, recorrendo a negociações e pressões. Analistas apontam que essa é a razão por trás da sua antiga intenção de adquirir a Groenlândia, que possui grandes reservas de minerais estratégicos. Neste ano, Trump também teria condicionado o acesso às terras raras da Ucrânia à manutenção da ajuda militar dos Estados Unidos a Kiev na guerra contra a Rússia.

No Brasil, ministros do governo já mencionaram, em algumas ocasiões, que o país poderia usar suas reservas de terras raras como moeda de troca em negociações com os Estados Unidos, visando obter um alívio nas sanções que impactam cerca de 50% das exportações brasileiras para o país.

Nosso país possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, estimada em 23% do total conhecido no planeta. Apesar da abundância, o país produz apenas 1% da produção mundial. Atualmente, a extração ocorre em Minas Gerais e Goiás, embora estudos indiquem a presença desses minerais em outros dez estados.

Grande parte das reservas está na Amazônia, o que representa um desafio para o futuro: como explorar o “ouro do século 21” sem comprometer a floresta. O presidente Lula (PT) afirmou recentemente que essas riquezas são brasileiras e devem ser protegidas, sem que outros países interfiram.

Especialistas apontam que, no futuro, será necessário buscar formas mais inteligentes e sustentáveis de explorar as terras raras, como a reciclagem de lixo eletrônico. Mas vale lembrar que quase metade dos conflitos globais têm origem na disputa por recursos estratégicos.

Por isso, o Brasil de Fato está de olho nas disputas que envolvem esse tipo de recurso, nas devastações do meio ambiente que ocorrem pela atividade econômica mal regulada e que envenena rios e florestas e nas manobras truculentas do governo Trump.



« Voltar


Receba Nosso Informativo

X