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SINDICATO DOS SERVIDORES PÚBLICOS FEDERAIS NO ESTADO DE PERNAMBUCO
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Publicado: 31/07/2026
Do Brasil 247
O sociólogo e ambientalista guineense Miguel de Barros afirmou que comunidades tradicionais no Brasil e na África estão sob pressão de empresas e governos de países ricos interessados em controlar recursos naturais estratégicos, especialmente as chamadas terras raras.
A declaração foi feita na noite dessa quinta-feira (30), durante conferência magna no 14º Congresso Brasileiro de Pesquisadores(as) Negros(as), realizado na Universidade de Brasília (UnB), conforme informou a Agência Brasil. O evento termina nesta sexta-feira (31).
Segundo Barros, as ofensivas sobre territórios tradicionais fazem parte de um novo projeto colonial conduzido por países do Norte Global, baseado no monopólio de riquezas naturais e no domínio de tecnologias consideradas estratégicas.
“Querem ter controle daquilo que chamam de terras raras. Não só para manipulação e controle de patentes, mas para a produção de instrumentos bélicos”, afirmou o cientista social.
Para o pesquisador, a disputa pela Amazônia está diretamente ligada ao controle de recursos essenciais para a soberania dos países do Sul Global. “Ter o controle da Amazônia significa controlar a capacidade de produção alimentar, reserva de energia e de água e ainda o poder de fazer guerra com quem quiserem”, disse.
Barros sustentou que empresas internacionais buscam elementos usados na produção de bombas nucleares, carros elétricos e telefones celulares. Ele também relacionou esses interesses econômicos à herança colonial, afirmando que os proprietários dessas companhias pertencem a grupos que “tiveram sempre um projeto de financiamento e criaram patrimônio econômico com a colonização. Estão no poder político com a colonização”.
Considerado uma referência no debate sobre políticas públicas e desenvolvimento social, Miguel de Barros foi eleito pela Confederação da Juventude da África Ocidental como a personalidade mais influente do ano.
Inteligência artificial e novo colonialismo tecnológico
Durante a conferência, o sociólogo também afirmou que o novo ciclo colonial se apoia no controle das tecnologias contemporâneas, incluindo os avanços de empresas de inteligência artificial. Para ele, esse processo aprofunda desigualdades históricas ao concentrar conhecimento, dados e poder econômico.
“Está baseado sobretudo na substituição da força e da capacidade humana pelas máquinas”, declarou.
Barros afirmou ainda que o setor financeiro ligado à inteligência artificial não responde às necessidades dos povos historicamente explorados. Segundo ele, trata-se de “um mecanismo de açambarcamento (apropriação) do saber, do conhecimento e do patrimônio do povo negro”.
O pesquisador defendeu a construção de uma contracorrente tecnológica capaz de oferecer suporte às populações negras e tradicionais diante desse cenário. “A inteligência artificial é também utilizada para a manipulação da biomedicina”, alertou.
Pandemia, racismo e seletividade no direito à vida
Miguel de Barros também criticou a falta de cooperação internacional com países africanos durante a pandemia de Covid-19. Segundo ele, a concentração de poder econômico impediu a transferência de tecnologia e de medicamentos para o continente.
“O domínio do poder econômico não permitiu a transferência nem da tecnologia nem dos medicamentos. Até este momento, o continente africano só vacinou um quarto da sua população com duas doses de Covid”, afirmou.
Na avaliação do sociólogo, o neocolonialismo contemporâneo opera por meio de um desenvolvimento tecnológico seletivo, que determina quais populações terão acesso à proteção, à saúde e à vida. Para ele, essa lógica está atravessada pelo racismo.
O pesquisador defendeu que universidades e governos apoiem formas alternativas de resistência e emancipação para populações vulneráveis. “No processo de construção de autonomia econômica e política, os resgates dos saberes das comunidades negras e tradicionais são elementos decisivos para garantir o direito à vida dos povos”, disse.
Ao relacionar a disputa por recursos naturais ao cenário político brasileiro, Barros afirmou: “Por isso é que os Estados Unidos estão a disputar as eleições no Brasil”.