SINDICATO DOS SERVIDORES PÚBLICOS FEDERAIS NO ESTADO DE PERNAMBUCO

(81) 3131.6350 - sindsep@sindsep-pe.com.br

Home | Notícias

Brasil fecha Oscar 2026 sem estatuetas, enquanto Uma Batalha Após a Outra lidera a noite: ‘A gente já fez história com essas indicações’


Entre os momentos mais marcantes, Autumn Durald Arkapaw se tornou a primeira mulher a vencer o Oscar de fotografia

Publicado: 16/03/2026

Bonecos gigantes do diretor Kleber Mendonça Filho e do ator Wagner Moura, de O Agente Secreto, em frente ao cinema São Luiz, no Recife, na expectativa pelo resultado do Oscar 2026 - Foto: BRENDA ALCANTARA / AFP

Do Brasil de Fato

Brasil encerrou o Oscar 2026 sem estatuetas, apesar de ter chegado à cerimônia com cinco indicações, quatro delas por O Agente Secreto e uma por Adolpho Veloso, indicado a melhor fotografia por Sonhos de Trem. Ao mesmo tempo, Uma Batalha Após a Outra foi o principal vencedor da noite, com seis prêmios, incluindo melhor filme e direção. Para a crítica de cinema, roteirista e curadora Lorenna Montenegro, o saldo brasileiro não deve ser lido apenas pela ausência de vitórias. “A gente já fez história também com essas indicações, com esse reconhecimento que o filme teve na temporada”, afirmou ao Brasil de Fato.

O Agente Secreto foi indicado em quatro categorias: de melhor filme, melhor ator, melhor seleção de elenco e melhor filme internacional. Na categoria internacional, o longa de Kleber Mendonça Filho foi derrotado por Valor Sentimental, da Noruega.

Para a crítica, o desempenho da produção norueguesa na corrida pode ter pesado na votação de filme internacional. “Valor Sentimental tinha nove indicações. Isso, no final das contas, fez a diferença pelo menos perante o corpo votante”, afirma. Ela pondera, porém, que o encerramento da campanha não deve ser tratado em chave de frustração simples. “Hoje é um dia para celebrar esses nove meses de campanha.”

“A gente precisa realmente capitalizar isso para que o cinema brasileiro seja cada vez mais pulsante e potente”, afirma. Na leitura da crítica, o caso do filme de Kleber Mendonça Filho ajuda a reforçar a necessidade de ampliar esse espaço para além de nomes já consolidados no circuito internacional.

Ela diz ainda que o mais importante é observar o que a temporada deixa como acúmulo para os próximos anos. “O que importa é que, no final das contas, a gente consiga olhar para esses momentos como uma temporada de premiações e extrair o melhor que é possível”, afirma. E completa: “Que bom que a gente tem um Agente Secreto, Ainda Estou Aqui e tantos outros filmes formidáveis.”

Wagner Moura, indicado a melhor ator por O Agente Secreto, apresenta o Oscar de
melhor elenco durante a cerimônia; mais tarde, ele foi derrotado por Michael B. Jordan,
de Pecadores. (Foto: Patrick T. Fallon / AFP)

Vencedor da noite

O grande nome da noite foi Uma Batalha Após a Outra, de Paul Thomas Anderson. Além de vencer melhor filme, o longa levou direção, roteiro adaptado, montagem, seleção de elenco e ator coadjuvante, com Sean Penn. Para Lorenna, o desempenho do filme era esperado, ainda que não necessariamente na dimensão em que se confirmou. “Foi o grande vencedor da noite, como era de se esperar, mas talvez não pela quantidade de prêmios”, diz.

Na leitura da crítica, a cerimônia também acabou funcionando como consagração tardia de Anderson junto à Academia. “O Oscar adora fazer isso: não premia um artista quando ele merece, mas, se ele espera uns bons anos, acaba sendo premiado pelo conjunto da obra”, afirma.

Já Pecadores, que chegou à noite com 16 indicações, teve um desempenho mais contido do que parte das previsões sugeria. O filme venceu em melhor ator, com Michael B. Jordan, fotografia, trilha sonora original e roteiro original.

Dirigido por Ryan Coogler, o longa se passa no Mississippi segregado dos anos 1930 e acompanha dois irmãos gêmeos que retornam à região para abrir um clube de blues. A partir dessa história, Pecadores articula horror, música e comentário social em uma narrativa marcada por racismo estrutural, violência supremacista e disputa em torno da cultura negra nos Estados Unidos. O filme também foi lido ao longo da temporada como uma obra sobre memória, ancestralidade africana e apropriação cultural. “Das 16 indicações, Pecadores saiu com modestíssimos quatro prêmios”, resume Lorenna.

Paul Thomas Anderson e a produtora Sara Murphy recebem o Oscar de melhor filme
por Uma Batalha Após a Outra, ao lado do elenco e da equipe, no palco da cerimônia.
(Foto: Patrick T. Fallon / AFP)

O ponto mais alto da cerimônia

Um dos momentos mais marcantes da noite veio com a vitória de Autumn Durald Arkapaw em melhor fotografia por Pecadores. Ela se tornou a primeira mulher a vencer a categoria no Oscar, desbancando, entre outros concorrentes, o brasileiro Adolpho Veloso.

Para Lorenna, o prêmio teve um peso que ultrapassa o resultado individual da disputa. “Foi histórico demais, muito significativo para a história do Oscar, para a história do cinema mundial e para a história das mulheres no cinema”, afirma.

A crítica também destaca o discurso de agradecimento da diretora de fotografia, que dividiu o prêmio com outras mulheres da indústria. “Foi um dos poucos momentos em que eu realmente fiquei comovida nessa cerimônia.”

Autumn Durald Arkapaw, vencedora do Oscar de melhor fotografia por Pecadores,
é abraçada por Michael B. Jordan, premiado como melhor ator pelo mesmo filme,
na sala de imprensa da cerimônia.(Foto: Valerie Macon / AFP)

Outros sinais da noite

Além da liderança de Uma Batalha Após a Outra e do espaço ocupado por Pecadores, a cerimônia também deixou outros sinais sobre os caminhos do Oscar.

Amy Madigan venceu melhor atriz coadjuvante por A Hora do Mal, em um raro reconhecimento a uma atuação em filme de gênero. Frankenstein confirmou força nas categorias técnicas, com vitórias em direção de arte, figurino e maquiagem e cabelo. Já Guerreiras do K-Pop venceu em animação e também em canção original, consolidando o alcance do filme para além do público juvenil.

A noite também foi atravessada por manifestação política. Ao apresentar a categoria de melhor filme internacional, Javier Bardem defendeu a Palestina no palco e apareceu com um broche com a frase “No a la guerra”. A fala do ator espanhol se somou a outros sinais de que o Oscar 2026 manteve espaço, ainda que pontual, para posicionamentos sobre guerra, violência e direitos humanos.


 



« Voltar


Receba Nosso Informativo

X