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Celso Furtado, cem anos de legado para a economia e o serviço público brasileiro

Fonte: Ascom Sindsep-PE
28/07/2020



Se vivo estivesse, Celso Furtado, um dos maiores economistas e intelectuais do Século XX, completaria 100 anos neste mês de julho. Nascido no Sertão da Paraíba, ele dedicou a vida ao desenvolvimento do Brasil e, especialmente, ao Nordeste, sendo um dos responsáveis pela criação da antiga Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).

Autor de uma vasta bibliografia com mais de 30 obras, seu grande clássico foi a Formação Econômica do Brasil, traduzido em vários idiomas, um dos livros mais lidos do país. Em entrevista ao programa Redator Comunitário (Rádio universitária FM 99.9 MHz), ancorado pelo jornalista Roberto Souza, parceiro do Sindsep-PE, a economista Tânia Bacelar falou da importância de Celso Furtado para o país.

“Ele foi alguém que dedicou a vida a refletir sobre o Brasil”, frisou Tânia Bacelar. Ela lembra que ele foi o primeiro superintendente da Sudene e primeiro ministro do Planejamento brasileiro (governo João Goulart).

Tânia Bacelar contou que não chegou a ser colega de trabalho de Celso Furtado na Sudene. Quando ela entrou no órgão ele já não estava mais, encontrava-se exilado na França. “Muitos anos depois, já no final dos anos 70, eu fui fazer meu doutorado em Paris e teve a oportunidade de ser aluna dele. Ele era professor da Universidade de Paris I, onde eu estudei”, conta a economista, que lembra como eram as aulas do professor Celso Furtado.

“Era um enorme anfiteatro lotado para assistir as aulas conferências que ele preparava cuidadosamente sobre a questão do desenvolvimento (econômico). Nas turmas tinham pessoas do mundo inteiro. Africanos, latino americanos, europeus e asiáticos. Um aprendizado muito bom por conta da qualidade das aulas dele e dessa multiplicidade de pessoas que estavam ali, interessadas no mesmo assunto”, lembra Tânia. 

Celso Furtado também fez parte da banca de doutorado de Tânia Bacelar, cuja tese era sobre a industrialização do Nordeste, na qual a Sudene teve um papel destacado. “O que eu apresentei, com base numa pesquisa que a própria Sudene tinha feito, não era o processo de industrialização que ele tinha proposto. O que tinha acontecido no Nordeste não era uma industrialização por empresários nordestinos, mas em grande parte eram empresas filiais de outras grandes empresas internacionais ou que já estavam instaladas no Sudeste e Sul do Brasil . Foi um debate muito interessante, do que havia sido proposto e o que havia acontecido na verdade”, lembra. 

Tânia Bacelar lembrou que na volta do exílio, Celso Furtado foi ministro da Cultura do governo Sarney. “Ele criou um sistema de incentivos para produção cultural no Brasil, que vigorou durante muito tempo e está sendo esvaziado hoje, mas que foi muito importante para desenvolver um dos principais potenciais do Nordeste, que é a fantástica diversidade cultural que a gente tem e o empreendedorismo do nossos produtores”.

Ao final da entrevista ao jornalista Roberto Souza, Tânia Bacelar sintetizou a grandeza de Celso Furtado. “Um cidadão do mundo, mas que tinha os pés fincados na sua terra natal, principalmente no Nordeste”.

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