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Copom: analistas acreditam em queda de 0,5% da Selic apesar da inflação


Taxa básica de juros da economia brasileira está em 13,25% ao ano, uma das mais altas do mundo

Publicado: 20/09/2023

Banco Central, em Brasília, é responsável por conter inflação no país usando a Selic - Foto: Agência Brasil

Do Brasil de Fato

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) encerra nesta quarta-feira (20) sua sexta reunião do ano para definir o patamar da taxa básica de juros da economia nacional, a Selic. No quinto encontro, em agosto, o órgão reduziu a taxa de 13,75% ao ano para 13,25% ao ano. Sinalizou, inclusive, que pretende fazer novos cortes de 0,5 ponto na Selic nesta e nas próximas reuniões.

Essa sinalização, no entanto, ocorreu antes do cenário da inflação do país mudar. De janeiro a junho, o Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou uma desaceleração, abrindo espaço para uma política monetária mais flexível do BC. De julho em diante, o IPCA voltou a subir e, em agosto, já acumulava 4,61% nos últimos 12 meses – o que, em tese, poderia fazer o BC reduzir o ritmo da queda da Selic.

O órgão é o responsável pelo controle dos preços no Brasil. Usa a Selic para controlar aumentos em épocas de inflação alta.

Mauricio Weiss, economista e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), afirmou que esse não é o caso da inflação do Brasil hoje. Ele reconhece que o índice cresceu nos últimos meses, mas está controlado. Para Weiss, não há motivos que justifiquem um corte menor que 0,5 ponto da Selic neste mês.

"Primeiro porque a taxa de juros ainda está em um patamar muito alto, a taxa de juros real [juros menos a inflação] mais alta do mundo", argumentou. "Depois, porque esse aumento da inflação já era esperado, levando em conta os reajustes da Petrobras, por exemplo."

O economista Miguel de Oliveira, diretor-executivo da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), também não crê que a alta recente da inflação vá reduzir o ritmo de cortes de Selic. Ele ressalta, porém, que a taxa poderia cair ainda mais se não fossem os aumentos de preços recentes.

"Se a inflação tivesse vindo mais baixa, isso poderia pressionar o Banco Central para reduzir num percentual maior do que 0,5 esperado. Talvez, 0,75 ponto percentual", afirmou.

Economistas de bancos ouvidos pelo BC na semana passada esperam que a taxa Selic seja mesmo cortada em 0,5 ponto percentual neste mês. A previsão está registrada na última edição do Boletim Focus, divulgada na segunda-feira (18).

Esses mesmos economistas apostam num novo corte de 0,5 ponto em novembro e outro do mesmo tamanho em dezembro. Desta forma, a taxa básica de economia nacional terminaria o ano em 11,75% ao ano.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já afirmou que vê espaço para que a Selic seja reduzida para em torno de 10% ao ano. Os economistas ouvidos semanalmente pelo BC estimam que ela esteja em 9% ao ano no final do ano que vem.

Meta de inflação

O BC diz fixar a Selic buscando cumprir as metas de inflação estabelecidas pelo CMN (Conselho Monetário Nacional). Para 2023, a meta é que a inflação feche o ano em 3,25%, com tolerância de até 1,5 ponto para mais ou menos –ou seja, até 4,75%.

O próprio governo já não acredita que essa será cumprida. Na segunda-feira (18), a Secretaria de Política Econômica (SPE) informou que o índice deve fechar o ano de 2023 em 4,85% – ou seja, 0,1 ponto acima do estabelecido.

Economistas ouvidos pelo BC estimam 4,86%, também acima da meta

André Roncaglia, economista e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), disse a meta de inflação deste ano será ultrapassada. Para ele, porém, neste momento, a autoridade monetária já está preocupada com a inflação de 2024 e 2025. Não haveria, portanto, motivo para manter a Selic como está.

"Já se aceita que a meta vai ser violada", afirmou. "Isso já está dado desde março, pelo menos. Então, não há novidade que justifique o BC apertar a política monetária ou mudar seus planos de reduzir a Selic gradativamente."

Pedro Faria, economista e pesquisador do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Faculdade de Ciências Econômicas (Cedeplar) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), disse que o sistema de metas de inflação do Brasil tem problemas pois desconsidera crises pontuais, como o choque de preços do petróleo e derivados causado pelo início da guerra entre Rússia e Ucrânia.

Para 2025, aliás, esse sistema de metas já será diferente, não mais perseguindo um número ao final de cada ano, mas sim uma taxa contínua.

Para 2024, economistas ouvidos pelo BC estimam que a inflação feche o ano em 3,86%. Neste caso, ela estaria dentro da meta de 3%, mais 1,5 ponto percentual de tolerância – limite máximo de 4,5% ao final do ano.



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