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Crime cometido por Bolsonaro fica claro com vídeo da reunião ministerial

25/05/2020



  • Reprodução

 

A divulgação do vídeo da reunião entre Jair Bolsonaro e seus ministros, liberado na última sexta-feira aos meios de comunicação pelo ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), deixa claro que Bolsonaro cometeu crime de advocacia administrativa no caso da interferência junto à Polícia Federal (PF). O vídeo reforça a tese para o pedido de impeachment protocolado no último dia 21 de maio na Câmara dos Deputados, por mais de 400 entidades, entre elas a Condsef/Fenadsef, movimentos sociais, juristas e partidos políticos. 

Segundo reportagem do jornal O Globo, publicada nesta segunda-feira (25), a equipe de investigadores da Procuradoria-Geral da República (PGR) responsável pelo caso da reunião ministerial, que ocorreu no dia 22 de abril, avalia que as provas obtidas até o momento são suficientes para caracterizar crime de advocacia administrativa. Bolsonaro teria cometido o crime devido a sua pressão para trocar postos-chave da PF. 

A conclusão das investigações será repassada ao procurador-geral da República, Augusto Aras, que decidirá se apresentará denúncia contra Bolsonaro. Aras tem dito que só vai fazer uma avaliação do caso depois que a investigação for encerrada e ele puder analisar todas as provas produzidas. No entanto, há uma dúvida com relação à decisão do procurador geral. É que ele foi escolhido a dedo por Bolsonaro para o cargo e o presidente já prometeu que irá indicá-lo a próxima vaga de juiz do STF. 

Mas a investigação dos procuradores independe de Aras. Segundo matéria de O Globo, eles acreditam que ficou muito clara a pressão de Bolsonaro sobre o então ministro da Justiça, Sérgio Moro, para fazer mudanças em cargos na PF motivado por interesses pessoais. No vídeo, Bolsonaro fala da sua preocupação em proteger familiares e amigos. A matéria de O Globo destaca que, segundo os investigadores, o vídeo traz uma comprovação rara de se obter nesse tipo de crime que é o “dolo”. 

Mais provas

Outra prova seria a mensagem enviada por Bolsonaro a Moro, citando como “mais um motivo para a troca” da direção-geral da PF uma notícia que mostrava que o inquérito das fake news estava investigando deputados bolsonaristas. 

A sucessão de fatos que aconteceram depois da reunião seria mais uma prova que estaria sendo levada em consideração pelos investigadores. "Ora, dois dias após o vídeo ocorreu a demissão do então diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo e a saída de Sergio Moro. Depois, veio a nomeação de um novo diretor-geral da PF que teve como um dos seus primeiros atos a troca do superintendente da PF do Rio de Janeiro", lembrou o secretário geral do Sindsep-PE, José Felipe Pereira. 

Além disso, em entrevista coletiva concedida na saída do Palácio do Alvorada, após divulgação do vídeo da reunião ministerial, Bolsonaro revelou que procurou Sérgio Moro para proteger um filho que seria alvo de operação policial. “Estou o tempo todo vivendo sob tensão, possibilidade de busca e apreensão sobre filho meu onde provas seriam plantadas. Levantei isso [porque] graças a deus eu tenho amigos policiais civis e policiais militares no Rio de Janeiro que [me disseram que] estava sendo armado pra cima de mim”, declarou.

“Moro eu não quero que me blinde, mas você tem a missão de não deixar eu ser chantageado. Nunca tive sucesso pra nada. É obrigação dele me defender”, declarou. “Defender o presidente para que possa ter paz”, completou. 
No vídeo da reunião ministerial, ainda aparecem falas comprometedoras ou criminosas dos ministros Abraham Weintraub (Educação), Paulo Guedes (Economia), Damares Alves (Família) e Ricardo Salles (Meio Ambiente). Em meio a muitos palavrões, o presidente também ataca governadores e fala sobre intervenção militar.

Armas

Para tentar se resguardar de um impeachment, Bolsonaro voltou a defender, nesta segunda-feira (25), a posse de armas para a população. Em sua cruzada fascista, ele compartilhou, no Twitter, um vídeo a favor do uso de armas pela população para fins políticos. O seu objetivo é o de que sejam formadas milícias, por brasileiros fascistas, para defendê-lo diante da possibilidade dele ser afastado da Presidência. O que se caracteriza como mais um crime e flagrante desrespeito à Constituição brasileira. 
 

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