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Deixem Cuba Viver: artistas, intelectuais e ativistas denunciam asfixia energética dos EUA como forma de ‘terrorismo’


Susan Sarandon, Mark Ruffalo e outras personalidades apoiam iniciativa contra a hostilidade dos EUA

Publicado: 11/02/2026

Vendedor ambulante em Havana, Cuba - Foto: Yamil Lage / AFP

Do Brasil de Fato

“Cuba não representa nenhuma ameaça aos Estados Unidos”, afirma uma carta aberta divulgada na segunda-feira (9), assinada por dezenas de artistas, autoridades eleitas e organizações sociais dos Estados Unidos, que destacam que “provocar a fome a uma população para subjugá-la não é diplomacia; é uma forma de terrorismo”.

Sob o título Let Cuba Live! (Deixem Cuba Viver!), a campanha se apresenta como um “chamado à consciência” para exigir “o fim do cruel ataque de Donald Trump contra o povo cubano”. A iniciativa é apoiada por setores amplos e heterogêneos da sociedade estadunidense.

Entre eles estão importantes figuras de Hollywood, como a atriz Susan Sarandon, os atores Mark Ruffalo e Kal Penn, e a escritora Alice Walker (Prêmio Pulitzer de 1983), juntamente com acadêmicos como Greg Grandin (Yale University), Michael Hardt (Duke University), Andrew Ross (New York University) e Bruce Robbins (Columbia University).

Também participam autoridades progressistas de Nova York e diversas organizações sociais defensoras dos direitos humanos, incluindo o movimento 50501 — um dos principais organizadores do No Kings Day —, Movement for Black Lives, organizações religiosas como IFCO/Pastores pela Paz e entidades como The People’s Forum e Answer Coalition.

Trata-se de um projeto que “pretende reafirmar a solidariedade e fortalecer a demanda de quem vive nos EUA pelo fim do bloqueio contra Cuba”, explica Claudia De La Cruz, educadora popular e diretora da Fundação Inter-religiosa para Organização Comunitária (IFCO)/Pastores pela Paz, em entrevista ao Brasil de Fato.

“É uma campanha que busca visibilizar a intensificação das agressões contra Cuba, envolver pessoas conscientes de todos os setores sociais e exigir da administração Trump e do Congresso dos Estados Unidos que cessem as agressões, levantem o bloqueio e permitam que Cuba se desenvolva como um país soberano”, acrescenta.

Segundo o documento divulgado, a recente decisão de Donald Trump de impor sanções e novas tarifas a qualquer país que “venda ou forneça petróleo a Cuba” tem o objetivo de provocar “fome em Cuba”.

“As consequências da nova ordem executiva serão medidas em sofrimento humano”, afirma a carta, alertando: “As famílias ficarão sem eletricidade para iluminação, refrigeração e preparo de alimentos; os hospitais terão que tomar decisões impossíveis, com risco de fechar setores e suspender tratamentos vitais; a distribuição de alimentos e medicamentos será paralisada; e os mais vulneráveis — crianças, idosos e doentes — sofrerão as piores consequências dessa crueldade”.

Ao mesmo tempo, a campanha aponta que o governo dos Estados Unidos, ao declarar Cuba uma ameaça à sua segurança nacional, busca gerar “uma estratégia cínica e grosseira para distrair a opinião pública dos problemas internos”, em um contexto de crescente autoritarismo, violência policial e desigualdade que afetam a principal potência mundial.

De La Cruz destaca que os trabalhadores nos Estados Unidos têm “mais em comum com a população cubana” do que com aqueles que governam o país, enquanto denuncia as agressões do governo estadunidense como ações que “não representam os desejos nem os interesses dos trabalhadores norte-americanos”.

“As administrações governamentais dos EUA se obcecaram em manter uma campanha de agressão e bloqueio econômico imoral, desumano e ilegal contra Cuba por mais de 60 anos”, lembra. A educadora e dirigente social afirma que acabar com o bloqueio não seria apenas benéfico para o povo cubano — principal vítima dessa agressão ilegal —, mas também para o próprio povo trabalhador estadunidense, atualmente impedido de estabelecer vínculos com seus vizinhos.

Nesse sentido, De La Cruz denuncia que “a lógica desumana” aplicada pelo governo dos EUA, que “pretende levar Cuba ao colapso”, é a mesma usada para intensificar a repressão interna, principalmente contra os setores migrantes.

“Nesse contexto, em que nossas comunidades, especialmente as imigrantes, estão sendo criminalizadas e atacadas, é importante destacar que a política interna que permite a intensificação da violência nos Estados Unidos está conectada com a lógica desumana que busca levar Cuba ao colapso”, acrescenta.

A campanha Let Cuba Live! lembra que “por mais de 30 anos, a Assembleia Geral das Nações Unidas votou anualmente, por esmagadora maioria, para condenar o embargo americano contra Cuba”, denunciando que a política externa do governo Trump deve respeitar o direito internacional. Ao mesmo tempo, faz um chamado para “manter relações normais com Cuba”. O documento termina exigindo: “Deixem Cuba viver. Cuba não é uma ameaça”.



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