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Enquanto o Brasil afunda, Bolsonaro vai em busca de ‘uma imagem’

Fonte: Rede Brasil Atual
08/09/2021



  • Fabrício Queiroz foi assediados por fãs do bolsonarismo no Rio - Reprodução

 

Rede Brasil Atual 


São Paulo – Presidente da República há quase três anos, Jair Bolsonaro confessou neste 7 de setembro seu grande objetivo: ele procurava uma imagem. Nos últimos meses, os financiadores do bolsonarismo, os mesmos que patrocinaram a eleição de Bolsonaro, gastaram fortunas para isso. Quem é do estado de São Paulo enviou delegações do interior para a Avenida Paulista. Os outros estados, no geral, centraram esforços para lotar a Esplanada dos Ministérios. De fato, o investimento – em transporte, hospedagens, camisetas, adereços, alimentação etc. – juntou muito mais gente do que Bolsonaro merece. Mas ficou muito abaixo da expectativa de chegar à casa dos milhões. Na mesma proporção, o tom dos discursos de Bolsonaro, tanto em Brasília quanto em São Paulo, também decepcionou seus seguidores.

Então, para não perder a viagem, veio a confissão de Bolsonaro: “Nós temos aqui uma imagem para mostrar ao mundo”, disse. Então era isso? O Brasil com mais de 22 milhões de infectados pela covid-19, caminhando para 600 mil mortes, e a luta do presidente é por uma foto de multidão. O país enfrentando um custo de vida que passa dos dois dígitos, e o chefe da nação em busca de uma selfie com um bando de camisetas amarelas ao fundo. Gasolina a R$ 7 o litro e uma economia a caminho do apagão energético, quase 15 milhões de brasileiros desempregados e outros tantos subempregados, desalentados e escravizados, e no que investe o presidente da República? Numa imagem para “mostrar ao mundo”.

A cara do Brasil de Bolsonaro


Melancolicamente, uma das imagens mais expressivas do apoio a Bolsonaro no 7 de setembro apareceu na zona sul do Rio de Janeiro. Foi de lá que Fabrício Queiroz, rodeado e cumprimentado por simpatizantes do presidente, postou imagens de seu apreço pela família. O símbolo do laranjal, amigo do pais e dos filhos, ex-assessor do ex-deputado estadual e hoje senador Flávio Bolsonaro, o filho 01, é a cara do governo Bolsonaro. O homem acusado de conduzir o esquema de contratação de funcionários fantasmas para se apropriar de seus salários. O operador das “rachadinhas” é um dos ídolos do bolsonarismo.

 

 

Imagem bolsonaro


O 7 de setembro em Brasília, e uma outra imagem para Bolsonaro (Sarah Teófilo)
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“Flopou”, “fiasco”, “fracasso” foram alguns termos que bombaram nas redes nesta terça. E, assim, o fracasso do bolsonarismo neste 7 de setembro tornou-se proporcional ao fracasso do governo. E como se não bastasse a incompetência, sobram também os crimes que o mandatário tenta acobertar com agressões às instituições da República. O professor de Direito da Universidade de São Paulo Conrado Hubner listou alguns que foram incorporados à ficha de Bolsonaro apenas neste 7 de setembro. Hubner cita o artigo 85 da Constituição, que trata de crimes de responsabilidade. Entre eles, atentar contra o livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário, do Ministério Público Federal e das unidades da federação. Menciona também o descumprimento de leis e decisões judiciais.

Isso porque em seu discurso, observa o professor, Bolsonaro ataca ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), pronuncia nominalmente Alexandre de Moraes e volta a desqualificar por antecipação a Justiça Eleitoral. Não por acaso, Alexandre de Moraes é, hoje, responsável no STF pelo inquérito da indústria de mentiras, modestamente chamadas de fake news. E no ano que vem, será o presidente do Tribunal Superior Eleitoral.

Quantos crimes?


“Quantos crimes são necessários para abertura do impeachment”, questiona a ex-deputada federal Manuela D’Ávila. Já o deputado federal Pedro Uczai (PT-SC) observou que o presidente reuniu “fanáticos”, mas não disse quem financiou os atos nem apresentou saídas para crise econômica e sanitária. “Espalhou fake news e praticou novos crimes contra as instituições de Estado. Bolsonaro precisa ser afastado do cargo e preso”, afirmou.

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), foi específico ao apontar delitos de Bolsonaro: “Art. 359-L (do Código Penal). Tentar, com emprego de violência ou grave ameaça, abolir o Estado Democrático de Direito, impedindo ou restringindo o exercício dos poderes constitucionais: Pena – reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, além da pena correspondente à violência”, postou em seu Twitter. E mencionou também: “Lei 1.079/50: Art. 6º São crimes de responsabilidade (…) 6 – usar de violência ou ameaça, para constranger juiz, ou jurado, a proferir ou deixar de proferir despacho, sentença ou voto, ou a fazer ou deixar de fazer ato do seu ofício.”

Impeachment de Bolsonaro


Apesar de conseguir a imagem que queria, Bolsonaro parece ter conseguido também novos inimigos dentro das instituições que teima em desrespeitar. O PSDB avisou que discutirá a adesão aos pedidos de impeachment, “diante das gravíssimas declarações do presidente da República”, como disse o presidente da legenda, Bruno Araújo. O presidente do Cidadania, Roberto Freire, também desqualificou os atos pró-Bolsonaro no 7 de setembro e passou a pedir o impeachment.

O presidente do PMDB, Baleia Rossi, trilhou mesmo caminho. “Sempre defendo a harmonia e o diálogo. Contudo, não podemos fechar os olhos para quem afronta a Constituição. E ela própria tem os remédios contra tais ataques”, disse nas redes. Vale observar que boa parte do MDB compõe o chamado Centrão, que já começou a roer a corda. Assim como o Solidariedade, do deputado Paulinho da Força, afirmou que vai reunir a bancada para decidir se vai passar a pedir o afastamento de Bolsonaro.

O líder da Oposição na Câmara, Alessandro Molon (PSB-RJ), avalia que ficou reforçado o isolamento político do presidente. “Uma parcela cada vez menor e mais radicalizada da sociedade o apoia. Os atos de hoje não passam de espasmos de um governo que agoniza e tem seu final cada vez mais próximo”, afirmou. “Vamos avançar no diálogo com os partidos que não integram a Oposição para discutir a possibilidade de avançarmos juntos na direção do impeachment de Bolsonaro.”

No ato do #7SForaBolsonaro no Anhangabaú, em São Paulo, a presidenta do PT, Gleisi Hoffmann, observou que Bolsonaro articulou essas manifestações de 7 de setembro para se defender de seus problemas. “Mas que nenhum aliado no Congresso apareceu para ajudar. Isso significa que, se ainda não houve clima para impeachment, a qualquer momento pode vir a ter. O Centrão não é um partido único e já abandonou outros governos antes.”

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