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SINDICATO DOS SERVIDORES PÚBLICOS FEDERAIS NO ESTADO DE PERNAMBUCO
(81) 3131.6350 - sindsep@sindsep-pe.com.br
Publicado: 30/07/2026
Ontem, mencionamos alguns dos instrumentos que serão utilizados pelos Estados Unidos para desestabilização do governo e do país.
Em linhas gerais:
Não se trata mais de ameaças pontuais, mas de uma estratégia geopolítica, sancionada pelo próprio Departamento de Estado, visando avançar sobre a mais relevante cidadela da América Latina.
A estratégia de disputa se dará sobre 4 grupos básicos. Em países com relações sociais e políticas menos deteriorados, a estratégia seria clara:
Frente 1 – Forças Políticas
Convocação de um pacto suprapartidário mínimo, ancorado na integridade institucional
Pacto suprapartidário mínimo, incluindo oposição, sobre a integridade das instituições (Judiciário, TSE, Banco Central) como linha vermelha comum — não um pacto sobre o governo.
Uso do Congresso como arena de resposta formal: projetos de lei de reciprocidade comercial e de proteção a autoridades sancionadas, convertendo indignação difusa em instrumento jurídico.
Frente 2 – Opinião Pública
Disputar o enquadramento antes de disputar o fato
Nomear publicamente a ação como “guerra híbrida”, com repetição consistente, para que cada novo evento (tarifa, sanção, tumulto) seja interpretado dentro desse quadro.
Pedagogia de soberania como contraponto ao efeito manada: demonstrar que ceder a um vetor específico não resolve, pois a pressão migra para o vetor seguinte.
Frente 3 – Empresariado
Segmentação por interesse objetivo: setores exportadores diretamente atingidos pela tarifa têm interesse imediato em lobby ativo por reciprocidade, não em acomodação bilateral silenciosa.
Ruptura da lógica de que soberania é “problema do governo” — evidenciar o custo direto ao balanço das próprias empresas.
Frente 4 – Forças de segurança
Blindagem técnica da infraestrutura eleitoral e das redes públicas como resposta binária e apolítica (segurança cibernética).
Protocolo de contenção de tumulto que evite o padrão provocação → resposta desproporcional → deslegitimação do Estado.
Os obstáculos
Obviamente, a teoria é infinitamente mais fácil de desenhar do que sua implementação.
No mundo real, tem-se um Congresso tomado por interesses setoriais e pelo avanço do crime organizado. Na política, há setores quinta-coluna, como o bolsonarismo e setores ligados ao Centrão. No meio empresarial, há uma enorme ausência de interlocutores, os grandes líderes empresariais de outras épocas. E, na opinião pública, uma contaminação extrema com os algoritmos das redes sociais.
A grande bandeira mobilizadora seria a soberania, dos valores nacionais. Mas, historicamente, as chamadas forças democráticas – esquerda, centro-esquerda – abandonaram essas bandeiras, que sempre foram manobradas pela direita, desde a ditadura até o bolsonarismo.
É só conferir a facilidade com que o golpe do impeachment destruiu a Lei do Petróleo, desmontou as políticas sociais, destruiu setores empresariais inteiros, desmontou ganhos sociais.
De qualquer modo, mesmo enfrentando o dilema de Sísifo – condenado a um castigo eterno: empurrar uma pedra enorme morro acima, e, toda vez que estava perto do topo, a pedra rolava de volta ao chão, obrigando-o a recomeçar para sempre – nada é mais brasileiro do que “a esperança é a última que morre”.