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SINDICATO DOS SERVIDORES PÚBLICOS FEDERAIS NO ESTADO DE PERNAMBUCO
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Publicado: 18/05/2026
Estudantes das três universidades públicas estaduais de São Paulo estão em greve em torno de pautas como permanência estudantil, moradia e financiamento das instituições. A mobilização, iniciada há mais de um mês na Universidade de São Paulo (USP), ganhou adesão na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e em diversos campi da Universidade Estadual Paulista (Unesp).
Na próxima quarta-feira (20), os estudantes da capital pretendem realizar uma marcha até o Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, para cobrar mais investimentos nas universidades e denunciar o processo de precarização da educação pública sob a gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Na USP, onde o movimento ocorre há mais de um mês, a situação é de impasse institucional. Em entrevista ao Brasil de Fato, Pedro Chiquitti, estudante de História e diretor do Diretório Central dos Estudantes (DCE-USP), relata que, apesar de duas mesas de negociação, as decisões da reitoria têm sido “bastante unilaterais”.
O clima pesou após a desocupação violenta da reitoria pela Polícia Militar, que resultou na detenção de quatro estudantes e feridos no último domingo (10). “Até hoje, estamos há 15 dias sem nenhum tipo de comunicado da reitoria, mesmo tendo solicitado via assessoria jurídica e apelado para todos os meios formais”, afirma Chiquitti.
Como resposta à crise e à pressão de mais de uma centena de docentes que assinaram cartas de apoio à greve, a USP anunciou, na quarta-feira (13), a criação de uma Comissão de Resolução de Conflitos para tentar retomar o diálogo.
O movimento estudantil, no entanto, vê com desconfiança a medida, enquanto enfrenta ofensivas externas, como o projeto de lei protocolado por deputados ligados ao MBL que visa punir estudantes que participam de ocupações com a expulsão ou impedimento de matrícula.
Unicamp, adesão de 20 cursos
A mobilização também se consolidou na Unicamp, onde ao menos 20 cursos já aderiram à greve. As pautas no campus de Campinas focam na melhoria das condições de moradia estudantil, reajuste de bolsas e críticas ao processo de terceirização de serviços básicos.
Enquanto o sindicato dos trabalhadores aponta setores afetados pela paralisação, a reitoria da Unicamp afirma que as atividades administrativas e de pesquisa transcorrem dentro da normalidade possível.
Na Unicamp, a pulverização do movimento atingiu áreas críticas da graduação. Entre os cerca de 20 cursos paralisados, destacam-se áreas das Ciências Humanas e Artes, como História, Ciências Sociais, Filosofia e Artes Cênicas, além de cursos da área de Saúde e Exatas que debatem a adesão total.
Segundo o comando de greve, a mobilização no campus de Barão Geraldo é uma resposta direta à falta de infraestrutura na moradia estudantil, onde alunos relatam problemas crônicos de manutenção e superlotação.
A pauta da universidade campineira também é marcada pela resistência à terceirização. Os estudantes argumentam que a substituição de funcionários concursados por empresas privadas em setores como o Restaurante Universitário (RU) e a limpeza precariza o serviço e fragiliza o vínculo com a comunidade acadêmica.
O movimento exige que a reitoria apresente um cronograma de concursos e a ampliação imediata do número de bolsas de auxílio-permanência, que não teriam acompanhado a inflação do último período.
Na Unesp, em Bauru, Marília e Capital
Na Unesp, a greve avança em unidades estratégicas como Bauru, Marília e o Instituto de Artes, na capital. A crise de permanência estudantil é o principal motor das paralisações no interior, onde os estudantes denunciam a insuficiência de auxílios frente ao custo de vida nas cidades universitárias.
O movimento na Unesp busca unificar as pautas com as outras duas estaduais, entendendo que a precarização é um projeto compartilhado pela gestão estadual.
A greve apresenta um caráter descentralizado, refletindo a estrutura da universidade. No campus de Bauru, as atividades foram interrompidas em cursos da Faculdade de Arquitetura, Artes, Comunicação e Design (FAAC) e na Faculdade de Ciências (FC).
Os estudantes utilizam as redes sociais para denunciar que o valor atual do auxílio-aluguel é insuficiente para cobrir os custos básicos de moradia na cidade, forçando muitos alunos a abandonarem a graduação.
Em Marília, a paralisação concentra-se na Faculdade de Filosofia e Ciências (FFC), onde assembleias estudantis têm debatido o impacto dos cortes orçamentários na pesquisa e na extensão. Além disso, no Instituto de Artes (IA), na capital paulista, a greve unificou estudantes e parte dos docentes em torno da demanda por reformas estruturais urgentes no prédio, que sofre com infiltrações e falta de equipamentos básicos para as aulas práticas.
A unificação do calendário de lutas entre as três instituições busca pressionar o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp). Os grevistas pleiteiam que o repasse do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), principal fonte de financiamento das estaduais, seja revisto para garantir que a expansão de vagas ocorrida nas últimas décadas venha acompanhada de investimento proporcional em assistência estudantil.
Marcha ao Palácio
Para os estudantes, a luta ultrapassa os muros das universidades e atinge o orçamento da educação pública paulista. “A greve toma contornos políticos na luta por orçamento e de enfrentamento direto ao processo de precarização levado a cabo pelo governo do estado”, destaca Chiquitti.
Uma marcha na próxima quarta-feira (20) deve reunir os estudantes na USP para caminhar até o Palácio dos Bandeirantes, sede do Governo de São Paulo, para exigir mais investimentos e barrar projetos que ameacem a autonomia universitária.
Outro lado
As universidades responderam às solicitações do Brasil de Fato.
A reitoria da Unicamp afirmou que, embora não possua um “balanço oficial” sobre o número de cursos paralisados, as atividades essenciais da instituição funcionam normalmente. A Administração Central ressaltou que prioriza o suporte ao estudante “por entender que o suporte ao estudante é fundamental para a manutenção da excelência e da qualidade do ensino”.
Como medida concreta, a universidade destacou a compra de um terreno de 44 mil metros quadrados no distrito de Barão Geraldo, um investimento de R$ 20 milhões para o que chama de “maior expansão do programa de moradia estudantil de sua história”.
Sobre as demandas imediatas, a instituição informou que haverá uma reunião na próxima segunda-feira (18) entre uma comissão da Reitoria e as lideranças estudantis para dar continuidade ao diálogo.
Em nota oficial, a Unesp informou que atingiu em 2026 uma dotação orçamentária recorde de R$ 110,7 milhões para políticas de permanência estudantil. A instituição ressaltou que, em 2025, atendeu 7.746 estudantes com algum tipo de auxílio (mais de 20% do total de graduandos) e que 17 unidades já possuem restaurantes universitários (RUs).
A universidade reconhece que o processo de inclusão social exige “esforços constantes e melhorias contínuas”, mas pontua a necessidade de um repasse fixo e previsível do ICMS diante do cenário de repactuação tributária.
Sobre a situação financeira, a Unesp detalhou que o orçamento para 2026 foi construído com um déficit de R$ 189 milhões, coberto por superávit financeiro, com despesas fixadas em R$ 4,98 bilhões contra receitas de R$ 4,79 bilhões.
Quanto à mobilização nos campi, a Reitoria afirmou que “reconhece o direito de os alunos se manifestarem” e que as unidades possuem autonomia para redefinir o calendário escolar caso as aulas sejam comprometidas.
A assessoria da USP limitou-se a indicar que seus posicionamentos estão expressos em notas oficiais publicadas em seu portal e que “não haverá nenhuma outra manifestação”.
Em comunicados recentes, a universidade defendeu a reintegração de posse do prédio da reitoria para “garantir o livre acesso de pessoas ao edifício” e destacou a instituição da Comissão de Moderação e Diálogo Institucional para tratar da pauta de reivindicações e da “normalização da vida acadêmica”.
Na quinta-feira (14), o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp), que representa as três universidades estaduais paulistas, emitiu uma nota “em defesa do pluralismo, diversidade de opiniões e do espírito democrático e republicano”.
O comunicado repudia a violência, mas não cita diretamente a polícia. “Portanto, refutamos veementemente qualquer iniciativa que estimule a violência nos segmentos discente, servidores docentes e técnico-administrativos”. Para ler a íntegra do comunicado, clique aqui.