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EUA não têm escolha: trabalhar com o Brasil em terras raras é mais barato, diz Silveira


Ministro afirma que vantagem logística brasileira torna parceria competitiva. China domina processamento global de minerais estratégicos e fabricação de ímãs permanentes

Publicado: 27/08/2026

Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira - Foto: Divulgação/MME

Do Brasil 247

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que os Estados Unidos terão de aprofundar a cooperação com o Brasil no setor de minerais críticos e terras raras diante da necessidade de diversificar suas cadeias de fornecimento e reduzir a dependência da China. As declarações foram repercutidas pela RT.

Segundo Silveira, as condições brasileiras tornam economicamente vantajoso para os Estados Unidos desenvolver cadeias produtivas em parceria com o Brasil. Na avaliação do ministro, os custos logísticos associados à exploração e ao processamento dos recursos minerais brasileiros tornam essa cooperação mais competitiva do que alternativas dentro do próprio território norte-americano.

A questão ganhou importância estratégica com a disputa entre Estados Unidos e China pelo controle das tecnologias necessárias à transição energética, à eletrificação da economia, à indústria digital e aos sistemas de defesa.

China domina a cadeia das terras raras

A principal preocupação de Washington é a posição alcançada pela China. Segundo os dados citados pela RT, Pequim responde por cerca de 69% da produção mundial de terras raras, mas sua vantagem é ainda maior nas etapas mais sofisticadas da cadeia, especialmente separação e refino.

A China também responderia por aproximadamente 94% da fabricação mundial de ímãs permanentes, componentes indispensáveis para motores elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e diversos sistemas militares.

Isso significa que possuir reservas minerais, isoladamente, não garante autonomia estratégica. O domínio das tecnologias de processamento, separação e transformação dos minerais em componentes industriais tornou-se a verdadeira fronteira da disputa.

Silveira: EUA perderam corrida para a China

Silveira afirmou ainda que o próprio governo norte-americano reconheceu, em reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a vantagem conquistada pela China.

Segundo o ministro, Donald Trump e integrantes de seu governo admitiram que os Estados Unidos perderam terreno para os chineses em áreas como eletrificação, separação de minerais e tecnologias relacionadas à indústria de defesa.

É justamente nesse contexto que o Brasil passa a ocupar posição privilegiada.

O país possui algumas das maiores reservas conhecidas de terras raras do planeta, além de uma extensa variedade de minerais críticos necessários à nova economia mundial. A questão estratégica, segundo Silveira, é transformar esse patrimônio geológico em capacidade industrial e tecnológica.

Brasil quer agregar valor aos seus minerais

Silveira destacou que o Brasil dispõe de recursos naturais e competências tecnológicas, mas reconheceu que a China construiu uma vantagem expressiva na tecnologia necessária para separar e processar terras raras.

Esse cenário reforça o desafio brasileiro de evitar que a corrida mundial pelos minerais críticos reproduza o antigo modelo de exportação de matérias-primas.

A estratégia defendida pelo governo Lula é utilizar as reservas nacionais como instrumento de desenvolvimento econômico, atração de investimentos, transferência de tecnologia e implantação de cadeias industriais dentro do Brasil.

A disputa pelas terras raras está diretamente ligada à produção de veículos elétricos, baterias, turbinas, equipamentos eletrônicos, datacenters, inteligência artificial e sistemas avançados de defesa. Por isso, esses recursos passaram a ocupar posição central nas estratégias de segurança nacional das grandes potências.

Trump restringe equipamentos estrangeiros na rede elétrica

A preocupação norte-americana com sua dependência tecnológica também aparece nas medidas adotadas por Trump para proteger a infraestrutura elétrica dos Estados Unidos.

O governo norte-americano proibiu a aquisição e instalação de determinados equipamentos estrangeiros na rede elétrica do país, incluindo tecnologias e softwares considerados críticos.

A ordem executiva invoca razões de segurança nacional e busca reduzir vulnerabilidades cibernéticas e a possibilidade de interferência externa em uma infraestrutura considerada vital.

A decisão evidencia como energia, minerais, tecnologia e defesa passaram a integrar uma mesma disputa geopolítica.

Brasil ganha importância na reorganização das cadeias globais

Nesse cenário, o Brasil possui uma oportunidade histórica. Além das reservas minerais, o país dispõe de uma matriz elétrica predominantemente renovável, grande território, capacidade industrial e relações diplomáticas tanto com a China quanto com os Estados Unidos.

A estratégia brasileira, no entanto, passa por preservar sua autonomia e evitar alinhamentos automáticos em uma disputa entre as duas maiores potências econômicas do mundo.

A posição defendida pelo governo Lula é que os minerais brasileiros devem servir prioritariamente ao desenvolvimento nacional, permitindo que o país participe das etapas mais valiosas das cadeias produtivas.

A declaração de Silveira de que trabalhar com o Brasil é mais barato para os Estados Unidos sintetiza essa nova realidade: diante da concentração chinesa no processamento das terras raras e da necessidade norte-americana de diversificar fornecedores, as reservas brasileiras tornaram-se um ativo estratégico de alcance global.

O desafio agora é converter essa vantagem geológica em tecnologia, indústria, empregos qualificados e soberania para o Brasil.



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