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SINDICATO DOS SERVIDORES PÚBLICOS FEDERAIS NO ESTADO DE PERNAMBUCO
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Publicado: 02/02/2026
Do GGN
O governo de Donald Trump deu início a uma ofensiva diplomática para tentar quebrar a hegemonia da China no mercado de terras raras, elementos essenciais para a indústria de alta tecnologia, defesa e transição energética. Nesta quarta-feira (4), a Casa Branca sedia uma reunião de emergência com cerca de 20 países para formalizar uma aliança mineral. O Brasil, dono de uma das maiores reservas mundiais desses recursos, foi convidado, mas ainda mantém distância estratégica da coalizão liderada pelo secretário de Estado, Marco Rubio. As informações são de Jamil Chade, no ICL Notícias.
O objetivo central de Washington é estabelecer um mecanismo de preço mínimo de importação. A medida visa “proteger” mineradoras e refinarias ocidentais contra a política de preços baixos praticada por Pequim, que detém quase o monopólio do refino global. Além disso, o plano abre caminho para a imposição coordenada de tarifas contra o produto chinês.
A resistência de Brasília e o “trunfo” mineral
Embora os EUA tenham reforçado o convite, o chanceler Mauro Vieira não comparecerá ao encontro, alegando conflitos de agenda. Nos bastidores, o governo Lula adota cautela. Segundo informações de Chade, o Palácio do Planalto entende que as terras raras são as “joias da coroa” e não pretende ceder ao alinhamento automático sem garantias concretas.
A estratégia brasileira, articulada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, é deixar o tema para a etapa final das negociações bilaterais com Trump, previstas para março. O Brasil busca barganhar o acesso às suas reservas em troca da retirada de tarifas comerciais americanas impostas a outros produtos nacionais.
Geopolítica e soberania regional em debate
A pressão americana não é vista apenas como uma questão comercial, mas como um risco à soberania sul-americana. Em debate promovido pelo Projeto Brasil, na TV GGN, a pesquisadora Astrid Aguilera Cazalbon, do GESENE/UFPB, alertou que a investida contra recursos estratégicos na região, incluindo a pressão sobre a Venezuela, fragiliza a integração regional.
“Qualquer processo de ataque, mesmo que pareça isolado em um país, representa um ataque à soberania de todos os outros países da região e do subcontinente como um todo”, afirmou Astrid no encontro organizado pelo Projeto Brasil.
Paralelamente, a diplomacia de Trump passou a atuar diretamente com governos estaduais, como os de Minas Gerais e Goiás, para mapear jazidas. O interesse é acompanhado de perto pela CIA, instruída a monitorar reservas naturais na América Latina que possam ser vitais para os EUA nas próximas décadas.
O risco da exportação primária e o refino verde
Apesar do potencial, especialistas do Projeto Brasil alertam para a ausência de uma política industrial brasileira voltada ao setor. Fernando Landgraf, professor da USP, criticou no debate a falta de investimentos nacionais: “Com a taxa de juros nesse patamar, o capital brasileiro não tem apetite para esse tipo de investimento”. Para Landgraf, o país corre o risco de repetir o modelo de exportador de matéria-prima bruta.
Como alternativa, a diretora executiva do Instituto E+ Transição Energética, Rosana Santos, defendeu no Projeto Brasil o conceito de “refino verde”. Ela propõe que o Brasil utilize sua matriz elétrica limpa para processar os minerais em território nacional. “Isso resultaria em minerais refinados com emissões que poderiam chegar a apenas 1/3 das emissões de qualquer outro lugar do mundo”, explicou a especialista na série da TV GGN.
Para assegurar que o bônus econômico não se torne um passivo social, o Projeto Brasil destacou a importância de marcos regulatórios como o PL 2780/2024, que propõe a “regra dos 80%“, exigindo que a maior parte da produção seja processada no país. Sem instituições fortes e políticas nacionais robustas, o alerta dos especialistas reunidos pelo Projeto Brasil é de que a América do Sul seguirá apenas como fornecedora de insumos básicos em uma guerra tecnológica global.