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SINDICATO DOS SERVIDORES PÚBLICOS FEDERAIS NO ESTADO DE PERNAMBUCO
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Publicado: 20/04/2026
Escrito por: Brasil 247
O gestor Claudio Andrade, sócio-fundador da Polo Capital, fez duras críticas à condução da política monetária no Brasil e classificou como um “erro grotesco” o atual nível dos juros. A avaliação foi feita em entrevista ao Intraday, blog de mercados financeiros do jornal Valor Econômico, na última sexta-feira, 17 de abril.
Segundo Andrade, o Banco Central mantém uma política excessivamente restritiva, que já perdeu eficácia no combate à inflação e passou a gerar efeitos colaterais relevantes na economia. “Há um erro grotesco na condução da política monetária”, afirmou. Para ele, o nível de juros atual comprime a atividade econômica e reduz drasticamente a margem de operação das empresas, especialmente no mercado de crédito.
Juros altos travam crédito e aumentam riscos
O gestor destacou que o ambiente de juros elevados cria um cenário de extrema cautela entre empresas e investidores. Com custo de dívida elevado — próximo de 17% ao ano —, muitas companhias passam a operar sem margem para erros. “Com juros nesse nível por tanto tempo, o espaço para erro desaparece”, disse.
Ele citou como exemplo empresas que, mesmo gerando caixa, enfrentam dificuldades por conta de estruturas de capital mais alavancadas. Nesse contexto, qualquer desvio pode rapidamente transformar uma situação administrável em um problema grave, com risco de reestruturação financeira.
Na avaliação de Andrade, o Brasil apresenta uma distorção significativa quando comparado a outras economias. “Não há outro país, há muito tempo, com uma taxa de juro real nos níveis do Brasil para um nível de inflação como o nosso”, afirmou.
Ele observou que a inflação brasileira não difere substancialmente de países latino-americanos como o Chile, o que torna ainda mais difícil justificar o patamar atual de juros. Para o gestor, o câmbio é um fator central na dinâmica inflacionária, embora seu comportamento seja difícil de modelar.
Andrade também argumentou que o excesso de aperto monetário pode produzir efeitos contrários aos desejados. Segundo ele, juros muito elevados reduzem investimentos, o que compromete a oferta futura e pode pressionar a inflação adiante.
“É como uma torneira já fechada: continuar forçando não reduz mais o fluxo, apenas gera problemas em outros pontos”, explicou. Ele acrescentou que o aumento dos juros também gera efeito renda sobre poupadores, estimulando o consumo em segmentos de alta renda.
Outro ponto destacado pelo gestor é o impacto dos juros elevados sobre as contas públicas. Andrade ressaltou que o Brasil não se destaca tanto pelo déficit primário, mas sim pelo déficit nominal, fortemente influenciado pelo custo da dívida.
“O ponto chave não é apenas o tamanho da dívida, mas o custo dela”, afirmou. Segundo ele, taxas muito altas tornam a trajetória da dívida insustentável ao longo do tempo, já que o crescimento econômico não consegue compensar esse custo.
Ao abordar o cenário fiscal, Andrade relativizou sua centralidade e apontou o crescimento como o principal desafio estrutural do país. Ele defendeu uma agenda voltada ao aumento da produtividade, e não estímulos artificiais à demanda.
“O principal problema do Brasil não é exatamente o fiscal, mas o crescimento”, disse. Para ele, setores como agropecuária e petróleo já oferecem bases sólidas para a expansão econômica, mas é necessário ampliar a capacidade produtiva do país.