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SINDICATO DOS SERVIDORES PÚBLICOS FEDERAIS NO ESTADO DE PERNAMBUCO
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Publicado: 23/09/2026
O governo do ex-presidente Jair Bolsonaro acumulou um mar de denúncias de corrupção que marcou o período de 2019 a 2022. Foi uma série de investigações, escândalos e indiciamentos que escandalizaram o país, provocaram indiferença por parte do governo, impunidade, endividamento de aposentados e pensionistas e milhares de mortes.
A situação começou a se inverter quando o atual governo assumiu o poder e a Polícia Federal (PF) passou a ter liberdade para investigar os diversos casos.
Importante destacarmos que todas as informações deste texto foram retiradas da imprensa nacional, em matérias publicadas ao longo dos últimos anos.
Relembre os principais casos abaixo:
O caso conhecido como o Escândalo do Banco Master e do INSS envolve uma megafraude financeira estimada em bilhões de reais, cujas engrenagens começaram a operar no governo de Jair Bolsonaro (em 2022).
O esquema: O governo Bolsonaro autorizou a compra do Banco Master, que havia sido negada no governo Michel Temer, por Daniel Vorcaro. Em 2022, o governo modificou as normas para a concessão de crédito consignado apenas 16 dias após receber um ofício do Banco Master. A mudança facilitou o funcionamento e a expansão do produto Credcesta.
A PF identificou conexões estreitas e repasses suspeitos ligando o operador financeiro do banco a figuras políticas de grande relevância ligadas a família Bolsonaro. A fraude acumulou movimentações suspeitas de transações financeiras irregulares estimadas entre R$ 6,2 bilhões e R$ 12,2 bilhões. Um dos maiores aliados dos Bolsonaros, o prefeito do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), decidiu investir cerca de R$ 3 bilhões na instituição financeira de Daniel Vorcaro. Os aportes bilionários foram realizados por meio do Rioprevidência (o fundo único de previdência dos servidores públicos do estado).
Diversos outros estados e município, em um total de 17, fizeram aportes com dinheiro de seus Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS). O volume de irregularidades asfixiou as finanças da instituição, levando o Banco Central do atual governo a decretar a liquidação extrajudicial do Banco Master.
As irregularidades: Auditorias técnicas do INSS, no atual governo, constataram uma falha grave em mais de 251 mil contratos de crédito consignado emitidos pelo banco (cerca de 74% de sua carteira). A maioria esmagadora desses acordos não possuía nenhuma comprovação de assinatura ou consentimento físico ou biométrico dos segurados. O crédito era concedido sem o conhecimento dos idosos e pensionistas, gerando descontos indevidos e criminosos de caráter alimentar.
Vídeos e mensagens obtidos pela PF nas operações Sem Desconto e Compliance Zero flagraram os investigados do banco detalhando planos explícitos para driblar o bloqueio judicial de contas e ocultar bens.
Os inquéritos geraram uma das maiores crises recentes no Judiciário. Existe a acusação de que o ministro André Mendonça estava fazendo vazamento seletivo para influenciar as eleições, liberando áudios que não comprovaram nada de irregular. A relatoria dos processos acabou sendo retirada de André Mendonça e ficou com o presidente da Corte, Edson Fachin, para neutralizar o uso político e o embate interno no tribunal.
O esquema: A Polícia Federal (PF) descobriu que o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, acertou um aporte de R$ 134 milhões (cerca de US$ 24 milhões) para supostamente patrocinar o filme. Mais de R$ 60 milhões foram efetivamente pagos. Mas, em vez de ir direto para a produção no Brasil, o dinheiro foi enviado para operadores, passou por contas no exterior e foi depositado no Havengate Development Fund LP, um fundo sediado no Texas (EUA) gerido por aliados da família Bolsonaro.
Mensagens e áudios apreendidos pela PF revelaram um integrante da família cobrando intensamente e de forma direta as parcelas em atraso do financiamento junto a Daniel Vorcaro e o chamando de irmão. Um dos áudios foi enviado um dia antes de Vorcaro ser preso. Uma segunda linha do esquema aponta que a produtora do filme (Go Up Entertainment, da empresária Karina Gama) também recebeu recursos públicos desviados de emendas parlamentares federais e de contratos da prefeitura de São Paulo. Todos provenientes de pessoas ligadas a família Bolsonaro.
As irregularidades: A PF apontou que o valor do "patrocínio" é completamente incompatível com a realidade do mercado cinematográfico nacional. A suspeita central é de que o filme foi usado como fachada para lavagem de dinheiro, evasão de divisas e pagamento de propina. Parte do dinheiro enviado aos EUA teria servido para custear despesas pessoais e manter o ex-deputado Eduardo Bolsonaro no exterior. A Polícia deflagrou a Operação Mecap (autorizada por Flávio Dino), cumprindo 49 mandados de busca e apreensão contra a produtora e o deputado federal Mário Frias, apontado como um dos líderes da arquitetura criminosa. Documentos revelaram que a produtora do filme pagava contas e faturas pessoais de Mário Frias com dinheiro do esquema.
Outro filho do presidente Bolsonaro é formalmente investigado no STF por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A sua defesa argumenta que as negociações tratavam apenas de um investimento comercial estritamente privado para uma produção artística, negando qualquer repasse ilícito ou uso de dinheiro público.
O esquema: A investigação sobre a tentativa de compra de vacinas superfaturadas no governo de Jair Bolsonaro centrou-se principalmente no Caso Covaxin, que se tornou um dos episódios mais sérios da CPI da Covid-19.
Enquanto se negava a comprar vacinas já testadas e eficazes – o que provocou a morte de milhares de pessoas-, o governo Bolsonaro firmou um contrato de R$ 1,6 bilhão para a compra de 20 milhões de doses da vacina indiana Covaxin, produzida pela farmacêutica Bharat Biotech.
As irregularidades: Documentos revelaram que o preço estipulado no contrato foi de US$ 15 por dose, um valor significativamente maior do que o inicialmente estimado pela própria Bharat Biotech em telegramas sigilosos anteriores (cerca de US$ 1,34 por dose).
O deputado federal Luis Miranda afirmou, em depoimento, que reuniu-se pessoalmente com Jair Bolsonaro em março de 2021 para alertá-lo sobre o esquema de corrupção em andamento no Ministério da Saúde. E nada foi feito. Após as revelações virem a público na CPI, a Controladoria-Geral da União (CGU) suspendeu e, posteriormente, cancelou o contrato da Covaxin.
O esquema: Em 2022, investigações da PF revelaram que dois pastores sem cargos oficiais (Gilmar Santos e Arilton Moura) controlavam a agenda do ministério e a liberação de recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para municípios.
As irregularidades: Prefeitos denunciaram no Senado que os pastores exigiam propina em dinheiro e até em quilos de ouro para destravar as verbas públicas. Em uma gravação vazada, o então ministro da Educação, Milton Ribeiro, afirmou que priorizava os prefeitos indicados pelos pastores por um pedido expresso do próprio presidente Jair Bolsonaro.
O caso provocou a demissão de Milton Ribeiro, que chegou a ser preso preventivamente pela PF na Operação Acesso Pago.
O esquema: A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), estatal cujo controle foi entregue por Bolsonaro ao bloco político do Centrão em troca de governabilidade, tornou-se o principal canal de escoamento de verbas do chamado "Orçamento Secreto".
As irregularidades: O TCU e a PF (Operação Odoacro) identificaram um cartel de empreiteiras que fraudava licitações de pavimentação asfáltica e desviava recursos federais. Empresas de fachada e "laranjas" venceram contratos bilionários. Em uma das operações, a PF apreendeu mais de R$ 1,3 milhão em dinheiro vivo com os suspeitos e afastou gerentes da estatal.
O esquema: Em maio de 2021, a Polícia Federal deflagrou a Operação Akuanduba contra o então ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.
As irregularidades: O ministro e servidores da alta cúpula do Ibama foram investigados por advocacia administrativa, corrupção e facilitação de contrabando. O esquema consistia na emissão de certidões retroativas falsas para liberar milhares de cargas de madeira ilegal extraída da Amazônia que haviam sido retidas nos Estados Unidos e na Europa.
Diante do avanço do inquérito autorizado pelo STF e da pressão pública, Ricardo Salles pediu demissão do cargo.
O esquema: Investigações apontaram o direcionamento e superfaturamento de verbas do Ministério da Educação para a compra de kits de robótica em dezenas de pequenos municípios de Alagoas.
As irregularidades: As prefeituras compravam os kits de uma empresa intermediária de aliados políticos por valores absurdamente inflados, registrando ágio de até 420% em relação ao preço de mercado. Muitas das escolas beneficiadas com os kits sequer tinham computadores, internet ou infraestrutura básica, como água encanada e salas de aula adequadas.
A PF deflagrou operações para apreender documentos e dinheiro, congelando contas bancárias dos envolvidos para estancar o prejuízo aos cofres públicos.
O esquema: A Polícia Federal indiciou Jair Bolsonaro em julho de 2024 por suspeita de peculato, lavagem de dinheiro e associação criminosa no caso das joias recebidas de autoridades estrangeiras que não foram declaradas como patrimônio público.
As irregularidades: O relatório da Polícia Federal (PF) no inquérito das joias detalhou um esquema estruturado para desviar bens de alto valor do acervo da Presidência da República para enriquecimento ilícito. Estima-se que as negociações ilegais movimentaram cerca de R$ 6,8 milhões.
Cocaína no avião da FAB
O esquema: O caso do tráfico de drogas em aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) veio à tona em 24 de junho de 2019, quando o então segundo-sargento Manoel Silva Rodrigues foi preso no aeroporto de Sevilha, na Espanha, transportando 39 kg de cocaína pura. Ele integrava a equipe de apoio militar que dava suporte à comitiva do ex-presidente Jair Bolsonaro, que viajava em direção à cúpula do G20 no Japão.
As irregularidades: O principal fator que permitia o crime era a ausência de revistas de segurança adequadas e checagem de bagagem para tripulantes e militares em voos de transporte de autoridades e missões especiais dentro das bases brasileiras
A investigação sobre a tentativa de golpe de Estado foi um dos episódios mais graves e estruturados associados ao fim do governo de Jair Bolsonaro. A investigação sobre o plano para assassinar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes foi o desdobramento mais extremista revelado no âmbito do inquérito do golpe de Estado. O caso chocou as instituições pelo nível de detalhamento tático e pelo envolvimento direto de oficiais militares de alta patente.
O Esquema: A Polícia Federal identificou uma organização criminosa dividida em seis núcleos de atuação (desinformação, incitação a militares, jurídico, operacional, inteligência paralela e coação). O objetivo era o de coordenar ações políticas, digitais e militares para desacreditar o sistema eleitoral, monitorar autoridades e subverter o resultado das urnas de 2022 para manter Jair Bolsonaro no poder de forma forçada. O inquérito apontou o ex-presidente como o líder com domínio direto das ações, contando com a colaboração ativa de generais de alta patente de seu ministério e auxiliares próximos (como Mauro Cid).
As Irregularidades: Foram elaborados decretos de exceção (como Estado de Sítio ou Estado de Defesa no TSE), que ficaram conhecidos como a minuta do golpe, para anular o pleito eleitoral e prender ministros do Supremo Tribunal Federal. Foram realizadas reuniões ministeriais oficiais gravadas para orientar a cúpula do governo a propagar desinformação contra as urnas eletrônicas. Houve fomento e financiamento logístico de acampamentos em quartéis que culminaram nos ataques de 8 de janeiro, além de monitoramento clandestino de autoridades e tentativas posteriores de interferir no curso da ação penal.
*Todas as informações contidas neste texto foram retiradas da imprensa nacional, em matérias publicadas ao longo dos últimos anos.