SINDICATO DOS SERVIDORES PÚBLICOS FEDERAIS NO ESTADO DE PERNAMBUCO

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Guedes chama servidores, que passam a vida contribuindo para o desenvolvimento do país, de parasitas

10/02/2020




O desrespeito do governo Jair Bolsonaro para com os servidores públicos brasileiros chegou ao limite. No ímpeto de defender uma reforma Administrativa que irá promover um grande desmonte no serviço público, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que os funcionários públicos são “parasitas”. E para tentar justificar essa forma de tratar os trabalhadores, Guedes soltou uma série de mentiras a respeito do serviço público brasileiro.

“Mais uma vez, o governo coloca o servidor público como inimigo do povo brasileiro. Quando trabalhamos diariamente para servir toda a sociedade. Dedicamos nossa vida inteira ao trabalho e não podemos admitir esse tratamento. Precisamos dar uma resposta a altura a esse governo. Precisamos voltar às ruas”, comentou o coordenador geral do Sindsep-PE, José Carlos Oliveira. 

As mentiras de Guedes

O ministro de Bolsonaro afirmou que o governo está quebrado e que gasta 90% de sua receita com o funcionalismo público. Primeiro o governo não está quebrado. O governo dispõe de mais de 1 trilhão de reais na conta única do Tesouro. O problema é que a economia brasileira está sendo muito mal gerida e todas as ações estão sendo tomadas para beneficiar o capital financeiro. Em segundo lugar, segundo os dados da própria União, o governo gasta apenas 20% com o funcionalismo. É um gasto inferior a 2002.  

Guedes disse ainda que o governo é obrigado a dar aumento de salários aos servidores. Se fosse assim, os trabalhadores não teriam passado todo o ano de 2019 sem aumento. O Supremo Tribunal Federal (STF) já decidiu, inclusive, que o poder Executivo não é obrigado a fixar data-base para conceder reajustes. O STF decidiu, inclusive, que os salários não precisam nem ser corrigidos pela inflação.

Em mais uma mentira, disse que o funcionalismo teve um aumento de 50% acima da inflação. Entre julho de 2010 e dezembro de 2019, os servidores públicos federais tiveram perda salarial de mais de 32%, considerando a inflação do período. Em seguida, disse que os servidores têm aposentadoria generosa. Mas a aposentadoria de todos os trabalhadores que ingressaram no serviço público a partir de fevereiro de 2013 é igual a dos trabalhadores da iniciativa privada. Para ganhar mais que o teto do INSS o funcionário tem que contribuir para uma previdência complementar. 

Estabilidade 

Da sua própria cabeça, o ministro Paulo Guedes afirmou que 88% da população brasileira é a favor da demissão dos funcionários públicos e da reforma Administrativa.  Mas Paulo Guedes não falou o porquê de existir estabilidade para quem trabalha para o Estado. Com o fim da estabilidade, não existirá garantia para que os servidores possam fiscalizar as ações do Governo. Um auditor fiscal, por exemplo, jamais poderá assinar um parecer contrário à licitação de um prefeito, governador ou presidente. 

“A função dos servidores é a de prestar serviços à população e proteger o estado. Evitar que os governadores se utilizem de seus cargos para buscar vantagens pessoais. Sem a estabilidade, os servidores sofrerão assédio moral, coação e chantagens para fecharem os olhos às falcatruas. O fim da estabilidade só beneficia os maus gestores”, comentou o secretário geral do Sindsep-PE, José Felipe Pereira.     

Paulo Guedes também quer acabar com os concursos públicos para poder ocupar todos os cargos do governo com seus indicados. 

Contra propaganda 

Na verdade, esta governo vem promovendo, com a ajuda dos grandes meios de comunicação, uma grande propaganda contra o serviço público com o objetivo de diminuir o tamanho do Estado e repassar os serviços para a iniciativa privada. Mas o Brasil é um dos países mais desiguais do mundo. Desta forma, a parcela da população mais pobre não terá acesso aos serviços privatizados. E não serão os empresários, ávidos por lucro, que irão prestar serviços aos que mais precisam sem que eles possam pagar por esses serviços. 

Segundo Paulo Guedes, as propostas referentes a reforma Administrativa serão enviadas ao Congresso nesta semana. E o governo deve fatiar o texto para facilitar a tramitação. Além do fim da estabilidade para os futuros servidores, o projeto de reforma administrativa prevê a possibilidade de redução de jornada e dos salários do funcionalismo público. Os salários iniciais também devem ser reduzidos. 

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