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Incentivo a IA defendida por Cury ameaça futuro dos concursos públicos


Cury afirmou que novas contratações de funcionários públicos poderiam ser substituídas pela Inteligência Artificial. Segundo ele, a medida permitiria reduzir custos e digitalizar a máquina pública

Publicado: 28/09/2026

Da Condsef/Fenadsef

Ao longo desta semana, a Condsef/Fenadsef traz declarações de candidatos à Presidência da República sobre os serviços públicos com objetivo de promover reflexões sobre o que elas podem significar.

O candidato à Presidência Augusto Cury (Avante) afirmou em agosto, durante sabatina no Jornal Nacional, que pretende reduzir o número de ministérios e ampliar o uso da Inteligência Artificial (IA) na administração pública caso seja eleito. Ao mesmo tempo, defendeu a criação de uma estrutura específica para Inteligência Artificial e Robótica e a ampliação de investimentos em áreas relacionadas à tecnologia.

Cury afirmou que novas contratações de funcionários públicos poderiam ser substituídas pela Inteligência Artificial. Segundo ele, a medida permitiria reduzir custos e digitalizar a máquina pública. “Se tivermos responsabilidade de gerir de maneira adequada e inteligente toda a máquina pública e não contratássemos mais colaboradores e entrássemos com inteligência artificial e digitalizássemos toda a máquina pública, nós certamente conseguiríamos economizar o suficiente”, afirmou o candidato.

A informação foi destaque em matéria publicada pela CNN Brasil. Uma declaração que chama atenção diz respeito diretamente ao futuro dos trabalhadores do serviço público.

A proposta de Cury também inclui a ideia de avaliar o desempenho dos atuais servidores e capacitá-los para trabalhar com ferramentas de IA. O candidato defendeu, portanto, uma combinação de redução de estruturas da administração pública com forte ampliação do uso de tecnologia.

Concursos X IA

A fala do candidato coloca no centro do debate uma questão que vai muito além da tecnologia: o que significa modernizar o serviço público e qual deve ser o papel dos trabalhadores diante do avanço da Inteligência Artificial?

Nesse cenário, a Condsef/Fenadsef não nega os avanços tecnológicos nem a possibilidade de utilização da Inteligência Artificial com responsabilidade para melhorar processos no serviço público. Mas a tecnologia deve servir para melhorar o atendimento à população ou para substituir trabalhadores e reduzir o Estado?

Serviços e políticas públicas voltados para pessoas são feitos por pessoas. Há uma dimensão humana no atendimento de saúde, na Previdência, na assistência social, na fiscalização, na educação, na pesquisa, na proteção ambiental, na segurança e em tantas outras áreas que não pode ser simplesmente substituída por sistemas automatizados.

Uma ferramenta de IA pode ajudar a organizar informações, acelerar tarefas repetitivas e apoiar decisões. Mas a execução de uma política pública envolve também escuta, diálogo, conhecimento da realidade local, responsabilidade profissional e capacidade de lidar com situações que não cabem em algoritmos.

A recomposição dos quadros do serviço público é uma das bandeiras da Condsef/Fenadsef e de suas filiadas e a realização de mais concursos públicos é parte fundamental desse processo.

Também faz parte dessa pauta a ampliação das políticas de cotas, como instrumento de inclusão e de construção de um serviço público mais diverso, com trabalhadores de diferentes origens, experiências e realidades.

Discussões e debates realizados pela Condsef/Fenadsef e levados ao Congresso da entidade, trataram desse tema e outros como terceirização e precarização.

A partir desse debate, a substituição de trabalhadores por máquinas aparece como uma escalada ainda mais radical de um modelo precarizante. A declaração de Augusto Cury ajuda a colocar essa discussão em evidência.

De um lado, existe um avanço tecnológico que já transforma relações de trabalho e pode trazer ganhos importantes para a administração pública. De outro, existe a necessidade de garantir que esses avanços não resultem em perda de capacidade do Estado, redução de servidores ou piora no atendimento à população.

O próprio candidato reconheceu, em sua fala, que a transformação tecnológica pode ter impactos profundos sobre o emprego. Sua proposta de não ampliar contratações e utilizar a IA para digitalizar a máquina pública coloca uma questão concreta para o debate eleitoral: qual será o lugar dos trabalhadores no serviço público diante dessa transformação?

Para a Condsef/Fenadsef, a resposta passa pelo debate e a luta por valorização dos servidores, realização de concursos, ampliação das políticas de inclusão e diversidade e utilização responsável da tecnologia.



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