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SINDICATO DOS SERVIDORES PÚBLICOS FEDERAIS NO ESTADO DE PERNAMBUCO
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Publicado: 23/03/2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, neste sábado (21), que países do Sul Global não devem aceitar uma ordem internacional baseada na força militar e no poder econômico. Segundo o petista, o mundo assiste à inação do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), paralelamente à escalada de guerras.
“O que nós estamos assistindo no mundo é a falta total e absoluta de funcionamento das Nações Unidas. O Conselho de Segurança da ONU e os seus membros permanentes foram criados para tentar manter a paz. E são eles que estão fazendo as guerras”, disse o presidente durante a reunião de chefes de Estado da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), em Bogotá.
“Quando é que a gente vai tomar uma atitude para não permitir que os países mais poderosos se achem donos dos países mais frágeis? Quando é que a ONU vai convocar uma reunião extraordinária para que a gente decida qual é o papel dos membros do Conselho de Segurança?”, questionou. “Por que não se renova? Por que não se colocam mais países representando o Conselho de Segurança da ONU?”
O Conselho de Segurança é responsável por decisões sobre paz e segurança internacional e pode autorizar sanções e ações militares. Formado por 15 países, sendo cinco permanentes – Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido – seu funcionamento é limitado porque qualquer membro permanente pode bloquear decisões, inclusive em situações em que há maioria favorável.
Para o presidente Lula, a estrutura do Conselho reflete a correlação de forças do pós Segunda Guerra Mundial e não inclui representação permanente de regiões como América Latina e África. As mudanças, no entanto, dependem da aprovação dos próprios membros permanentes, o que dificulta reformas e reduz a capacidade de resposta a conflitos.
“Eu estou, como ser humano, como democrata e como presidente do Brasil, indignado com a passividade dos membros de segurança que não foram capazes de resolver o problema na Faixa de Gaza, não foram capazes de resolver o problema no Iraque, não foram capazes de resolver o problema na Líbia, não foram capazes de resolver o problema na Ucrânia, não foram capazes de resolver o problema no Irã”, listou Lula.
Ao comentar os conflitos recentes, o presidente afirmou que não é possível naturalizar guerras como solução. “E tudo se resolve por guerra? Ou seja, quem tem mais canhão, quem tem mais navio, quem tem mais avião, quem tem mais dinheiro, se acha dono do mundo?”, perguntou. ‘Quando é que nós vamos dizer que isso não é normal?”
Lula também criticou a postura de Estados Unidos e União Europeia em relação ao Irã, ao relembrar que, em 2010, participou de um acordo com o governo iraniano para limitar o enriquecimento de urânio para fins pacíficos. Segundo o presidente, mesmo após o cumprimento dos termos, houve o aumento de sanções. Ele afirmou que, anos depois, um novo acordo foi firmado em condições diferentes e criticou a justificativa de intervenções militares.
O presidente afirmou ainda que não quer guerras e relembrou conversa com George W. Bush antes de assumir o governo, quando foi convidado a participar da guerra do Iraque. Lula recusou a proposta e disse que a prioridade do Brasil era combater a fome. “A minha guerra é contra a fome”, afirmou.
No discurso, Lula também defendeu o fortalecimento da cooperação entre América Latina e África. Ele afirmou que os dois continentes compartilham desafios e potencial e destacou a necessidade de ampliar parcerias em áreas como energia, tecnologia e produção de alimentos. Também defendeu que países com recursos naturais agreguem valor à produção e evitem a exploração externa.
O presidente anunciou ainda a realização de uma reunião da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul, marcada para 9 de abril, com o objetivo de manter a região livre de disputas geopolíticas. Segundo ele, a articulação entre países do Atlântico Sul é parte de um esforço para fortalecer a cooperação e a defesa da soberania.
Ao final, Lula defendeu a construção de uma agenda internacional voltada à paz e ao desenvolvimento e afirmou que o enfrentamento da fome e das desigualdades deve ser prioridade.