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Militarização do governo pode dificultar o impeachment de Bolsonaro

Fonte: Ascom Sindsep-PE
05/06/2020



 

Desde que assumiu o governo, o presidente Jair Bolsonaro passou a ser um risco potencial contra a democracia brasileira. Devido a sua incapacidade de governar e como forma de se precaver da possibilidade de impeachment que, naquele momento, já rondava os seus malfeitos, Bolsonaro resolveu lotear o Governo Federal entre integrantes das Forças Armadas Brasileira (FAB). É evidente que se torna muito mais complicado retirar do poder um governo que possui quase 3 mil militares em seu quadro. Hoje, o Congresso possui 35 pedidos de impeachment. 

Atualmente, o governo possui dez ministérios ocupados por militares. Braga Neto (Casa Civil), Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo), Augusto Heleno (GSI), Jorge Oliveira (Secretaria-Geral da Presidência), Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia), Fernando Azevedo e Silva (Defesa), Wagner Rosário (CGU), Tarcísio Freitas (Infraestrutura), Bento Albuquerque (Minas e Energia) e Eduardo Pazuello (Saúde). Mas além dos ministros e do vice-presidente, o general Hamilton Mourão, o governo possui cerca de 1,5 mil militares cedidos pelo Exército, 680 cedidos pela Marinha e 622 pela Aeronáutica.

Na saúde 

Eduardo Pazuello assumiu, temporariamente, o Ministério da Saúde depois da controversa demissão de Luiz Henrique Mandetta e do seu sucessor, Nelson Teich. Esse último,  antes mesmo de completar um mês no cargo. Os dois ministros, com base em estudos científicos, incentivaram as práticas de isolamento social e foram contrários ao uso da cloroquina e da hidroxicloroquina como tratamento para a Covid-19. Como Bolsonaro determinou que o laboratório das Forças Armadas ampliasse a produção do medicamento, passando de cerca de 250 mil comprimidos a cada dois anos para 500 mil por semana, ele precisava justificar o seu uso sob risco de ser processado por crime de responsabilidade. Por isso, os ministros foram demitidos.  

Uma semana depois que Pazuello assumiu, foi publicado o novo protocolo para tratamento de Covid-19, autorizando o uso da cloroquina para todos os estágios da doença, sem a assinatura do ministro.  Pouco depois, foi divulgada uma pesquisa com dados de 96 mil pacientes de Covid-19, o maior estudo até então, indicando que o uso de cloroquina e hidroxicloroquina apresentou maior risco de arritmia e morte e não combateu a Covid-19. O próprio protocolo do governo ressalta que "não existe garantia de resultados positivos", que "não há estudos demonstrando benefícios clínicos" e que a cloroquina pode causar efeitos colaterais que podem levar ao "óbito".

Mais militares

Depois disso, em 3 de junho, Eduardo Pazuello foi oficializado no cargo. Junto com ele, foram nomeados 20 militares em cargos estratégicos para lidar com a pandemia, somando a outros 20 nomeados durante a gestão de Teich. Todos em substituição a epidemiologistas e especialistas em saúde pública contrários ao uso da cloroquina e ao fim do isolamento social. Com isso, ficou muito mais fácil para o governo ir na contramão de entidades nacionais e internacionais da saúde. Agora os militares recebem ordens e, por mais absurdas, não deixam de acatá-las.  

“A militarização do governo, no momento em que a rejeição ao presidente bate recorde e a população vai às ruas, é um alerta forte do autoritarismo. Nos remete a um passado brasileiro de muita violência, desrespeito ao estado de direito, à Constituição e à democracia. Passado que levou o Brasil ao abismo social e que não podemos mais aceita-lo de volta. Esse país tem que caminhar para o futuro e não para o passado”, destacou o coordenador geral do Sindsep-PE, José Carlos de Oliveira. 

A aposta na morte

Além do incentivo ao uso da cloroquina, e ao fim do isolamento social, o governo Bolsonaro suspendeu a compra de respiradores do exterior. No último mês de abril, foi cancelada a compra de 15 mil equipamentos da China. No último dia 2 de junho, todos os contratos firmados no exterior para compras de respiradores foram suspensos. Enquanto isso, centenas de pessoas estão morrendo diariamente nas filas das UTIs por causa da necessidade de respiradores que não estão sendo produzidos em número suficiente pela indústria nacional.   

O Brasil lida ainda com a alta subnotificação dos casos de Covid-19 e a possibilidade de supressão dos dados para convencer a população de que a pandemia não é um problema grave. Recentemente, o Centro de Comunicação Social do Exército censurou as expressões “isolamento social” e “distanciamento social” em comunicados oficiais sobre o coronavírus, para evitar uma “dissonância indesejável em termos de interpretação”.
 

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