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SINDICATO DOS SERVIDORES PÚBLICOS FEDERAIS NO ESTADO DE PERNAMBUCO
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Publicado: 04/02/2026
Morreu nessa terça-feira (3), Frei Sérgio Görgen, dirigente do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e militante histórico da luta camponesa, em decorrência de um infarto. Ele havia completado 70 anos no último dia 29 e faleceu em sua casa, faleceu em sua casa, no Assentamento Conquista da Fronteira, em Hulha Negra, na Região da Campanha do Rio Grande do Sul.
Além de atuar na direção do MPA, o religioso franciscano foi um dos fundadores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e deputado estadual pelo PT entre 2002 e 2006.
“Frade franciscano, escritor e intelectual orgânico das causas populares, Frei Sérgio foi mais do que um dirigente; foi um pastor que escolheu o ‘cheiro das ovelhas’ e o barro das trincheiras. Sua partida deixa um vazio imenso na luta social brasileira, mas seu legado de soberania alimentar e dignidade camponesa permanece vivo em cada semente crioula plantada neste solo”, comunicou, em nota, o MPA.
“Frei Sérgio não apenas pregava o Evangelho, ele o vivia nas trincheiras da luta pela terra. Sua vida foi um testemunho de que a espiritualidade e o compromisso político com os pobres são faces da mesma moeda. Deixa-nos um legado de resistência e de um amor profundo pelo povo simples do campo”, acrescentou o movimento.
Em seu perfil no X, o dirigente do MST João Pedro Stedile lamentou a morte do amigo de longa data. “Estou muito dolorido. Perdi um camarada de 40 anos de luta, Frei Sérgio Görgen, franciscano. Enfrentamos juntos muitas batalhas, algumas perdemos, mas sempre vencemos com o povo organizado. Deixa um legado para toda militância camponesa do Brasil. Vamos sentir muitas saudades”, escreveu.
Comprometido com a comunicação democrática, Frei Sérgio também esteve à frente da fundação do Brasil de Fato RS, em 2018. A editora-chefe da redação no estado, Kátia Marko, destaca que o religioso sempre foi um comunicador popular, que “sabia conversar com o povo”.
“Em 2018, atendeu de pronto um pedido de João Pedro Stedile para lançar a redação do Brasil de Fato em nosso estado, e a partir do Instituto Cultural Padre Josimo deu todo o suporte para desenvolvermos nosso trabalho. Fará muita falta! Suas análises da realidade nos nutriam e fortaleciam. Era um visionário, como aqueles que sabem de sua missão na terra! Frei Sérgio, estará para sempre presente em nossas vidas”, diz a jornalista.
‘Profeta da resistência camponesa’
Natural do Rio Grande do Sul, Frei Sérgio teve atuação voltada à organização social e religiosa de populações do campo. Em 1996, ele participou da fundação do MPA, uma iniciativa criada em um contexto de secas recorrentes e de reivindicações por políticas voltadas à agricultura familiar.
Ao longo da trajetória, recorreu a formas de protesto como greves de fome em diferentes momentos, incluindo mobilizações por crédito agrícola nos anos 1990, contra a Reforma da Previdência em 2017 e atos em defesa da libertação do presidente Lula, em 2018, realizados em Brasília.
Frei Sérgio também foi sobrevivente do massacre da Fazenda Santa Elmira, ocorrido em 1989, episódio que passou a registrar e relatar em livros e textos. Na ocasião, no dia 11 de março daquele ano, uma reintegração de posse comandada pelo então governador de Pedro Simon (MDB), no município de Salto do Jacuí, foi marcada por repressão e violência.
“Não havia razão para tanta fúria. Dezessete pessoas foram hospitalizadas, algumas em estado grave. Vinte e três foram presas. Dezenas com ferimentos de todos os tipos. Nenhuma morte; algo quase milagroso com tanta violência e tanto tiro”, afirmou Frei Sérgio em entrevista ao MST anos depois.
Em fevereiro do ano passado, ele concedeu uma entrevista ao Brasil de Fato no qual relembrou alguns dos episódios dos seus 50 anos de vida religiosa. “A religião não começa quando a gente bota o pé para dentro da igreja, mas ela começa quando a gente esteve na igreja e bota o pé para fora”, afirmou, na entrada da Igreja de Sant’Ana, na comunidade de Posse de São Miguel, interior de Não-Me-Toque, no Rio Grande do Sul.
“Essa realidade sempre me acompanhou, porque o reino de Deus, a palavra, a missão que a gente recebe de Jesus de Nazaré, ela se vive no mundo e não apenas nas quatro paredes de uma igreja”, disse na ocasião.