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SINDICATO DOS SERVIDORES PÚBLICOS FEDERAIS NO ESTADO DE PERNAMBUCO
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Publicado: 17/06/2026
Perdas de vidas, sofrimento familiar e carências extremas são algumas das consequências que a guerra econômica imposta pelos Estados Unidos contra Cuba está provocando no povo cubano. Assim aponta um recente relatório publicado pelo site Cubadebate e divulgado na última segunda-feira (15), cujos dados configuram, de acordo com alertas das Nações Unidas, um cenário de possível “emergência humanitária”.
Um dos dados mais alarmantes é a deterioração da atenção médica infantil. Segundo o relatório, a taxa de sobrevivência de crianças com câncer caiu de 85% para 65%, uma queda de 20 pontos percentuais em relação aos níveis registrados antes do bloqueio energético. Isso significa que duas em cada dez crianças que antes conseguiam superar a doença por meio de tratamento adequado hoje já não conseguem fazê-lo devido à falta de recursos nos hospitais.
O relatório analisa o impacto da asfixia energética imposta no final de janeiro, quando a Casa Branca emitiu uma ordem executiva que ameaça sancionar qualquer país que “venda ou forneça petróleo” à ilha. Soma-se a isso a ampliação das chamadas “sanções secundárias”, por meio das quais Washington ameaça aplicar medidas coercitivas unilaterais contra qualquer entidade não estadunidense que mantenha relações comerciais com o Estado cubano.
Ambas as medidas configuram um cenário inédito de agressão contra Cuba. Suas consequências sociais se expressam no sofrimento cotidiano de milhares de famílias que enfrentam dificuldades crescentes para acessar direitos e serviços básicos.
Durante décadas, Cuba construiu um sistema de saúde gratuito e universal que lhe permitiu alcançar resultados impensáveis para uma pequena ilha caribenha. Em alguns indicadores, inclusive, conseguiu desempenhos superiores aos de vários países desenvolvidos.
No entanto, décadas de bloqueio econômico, somadas à recente asfixia energética e à expansão das sanções, estão provocando uma rápida deterioração do sistema de saúde.
As consequências são dramáticas. Mais de 100 mil cubanos permanecem em listas de espera para cirurgias eletivas ou reconstrutivas devido à escassez de energia. Entre eles estão 5.152 pacientes oncológicos e cerca de 12 mil crianças.
Além disso, quase 3 mil pessoas que recebem tratamento de hemodiálise por insuficiência renal crônica enfrentam dificuldades para acessar regularmente suas terapias.
A cada dia que passa, enquanto a “comunidade internacional” permite o bloqueio energético imposto pelos Estados Unidos, as consequências se tornam mais visíveis: hospitais sem eletricidade, nos quais médicos são obrigados a realizar procedimentos com a luz de celulares; veículos sem combustível para transportar pacientes até centros de atendimento; e milhares de pessoas que não conseguem acessar os tratamentos de que precisam.
Consequências sociais e humanitárias
Cuba precisa importar cerca de 70% do petróleo que consome para abastecer seu sistema elétrico nacional. Trata-se da energia que permite o funcionamento de atividades essenciais para a vida cotidiana e a economia do país: desde sistemas de irrigação no campo e maquinário nas fábricas até o fornecimento de eletricidade em universidades e as bombas que garantem a chegada de água às residências.
Nos últimos meses, Cuba se viu impossibilitada de acessar essas importações, o que obrigou o país a racionalizar de forma drástica a limitada energia que consegue produzir.
Como consequência, amplos setores da população enfrentam apagões que ultrapassam 20 horas diárias. A vida cotidiana de milhões de cubanos, especialmente dos setores mais humildes, foi profundamente alterada. A falta de energia se traduz em dificuldades para acessar iluminação, conservar alimentos, garantir o abastecimento de água potável e manter comunicações e transporte. Mas também afeta gravemente a economia, ao impedir o funcionamento normal de diversas atividades produtivas e agravar ainda mais as sérias dificuldades que o país atravessa.
Nessa situação crítica encontra-se também a indústria farmacêutica nacional. Embora Cuba tenha desenvolvido capacidades científicas notáveis para a produção de medicamentos, a escassez de insumos — decorrente das dificuldades para importá-los — provocou uma situação crítica que mantém o setor em estado de virtual paralisação.
Dos 395 medicamentos essenciais produzidos no país e distribuídos gratuitamente pelo Estado, 300 não estão disponíveis devido à falta de componentes químicos necessários para sua fabricação.
As farmácias populares, onde famílias e idosos podiam retirar os medicamentos de que precisavam, encontram-se praticamente vazias. Enquanto isso, o mercado negro cresce, com pessoas lucrando com a saúde e a vida da população.
Da mesma forma, o Programa Nacional de Imunização, um dos principais avanços da saúde pública cubana — que inclui 16 vacinas e protege milhões de crianças — está sob risco. Ele enfrenta dificuldades crescentes para obter matérias-primas, equipamentos e recursos financeiros necessários para sustentar a produção nacional.
Trata-se de milhares de crianças que não apenas têm seu acesso à saúde ou à educação prejudicado — devido às dificuldades do sistema educacional em manter seu funcionamento normal —, mas também seu direito à alimentação.
Estima-se que mais de 100 mil crianças cubanas estejam enfrentando dificuldades para acessar o leite distribuído pelo Estado de forma subsidiada, devido aos problemas para transportá-lo das unidades produtoras até as principais cidades do país.
Produzir fome de maneira deliberada é um crime que nenhuma legislação internacional permite. E esse é um dos objetivos explícitos das agressões econômicas derivadas das políticas do governo de Donald Trump e de seu secretário de Estado, Marco Rubio.
Após condenar as ações de Washington, as Nações Unidas alertaram para uma crise humanitária iminente. Em março, a organização lançou um apelo emergencial para arrecadar fundos destinados à ilha.
No entanto, devido à escassez de combustível — resultante do bloqueio energético —, as agências envolvidas enfrentavam sérias dificuldades logísticas para a distribuição da ajuda.
A Organização Pan-Americana da Saúde relatou atrasos no envio de antibióticos e reagentes de laboratório devido ao cancelamento de voos, enquanto a UNICEF informou que sete carregamentos essenciais de suprimentos para recém-nascidos, avaliados em 630.000 dólares, permaneciam retidos em trânsito. Da mesma forma, o Programa Mundial de Alimentos indicou que 2.900 toneladas de ajuda alimentar contratada não puderam ser enviadas a Cuba devido a restrições impostas por companhias de navegação.
Para além dos números, nenhuma estatística consegue refletir plenamente o dano humano que está sendo gerado diante de toda a comunidade internacional.