SINDICATO DOS SERVIDORES PÚBLICOS FEDERAIS NO ESTADO DE PERNAMBUCO

(81) 3131.6350 - sindsep@sindsep-pe.com.br

Home | Notícias

Mulheres sem terra realizam ocupações em jornada nacional de mobilização por reforma agrária e contra as violências


Os protestos denunciam a concentração de terras, a paralisação da reforma agrária e a violência de gênero

Publicado: 09/03/2026

Do Brasil de Fato

Cerca de 14 mil mulheres do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) participam de mobilizações em todo o país durante a Jornada Nacional das Mulheres Sem Terra, realizada entre 8 e 12 de março e ligada ao Dia Internacional da Mulher. 

No Rio Grande do Sul, cerca de 500 mulheres ocuparam uma área de 400 hectares da Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro), em São Gabriel. O movimento cobra do governo estadual e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) a retomada da negociação de áreas para assentamentos e reassentamentos de famílias acampadas e atingidas pela enchente de maio de 2024. 

A ação faz parte da Jornada Nacional de Luta do 8 de Março
A ação faz parte da Jornada Nacional de Luta do 8 de Março | Crédito: Divulgação/MST

A dirigente Lara Rodrigues afirmou que o movimento aceita a proposta de assentamento na área ocupada. “Com essa ocupação, queremos dizer ao governador que aceitamos a proposta do assentamento nas áreas da Fepagro. Já podemos ir para lá com as famílias acampadas do RS”, destacou a integrante da Direção Nacional do MST.

 
Em Minas Gerais, cerca de 700 mulheres também fecharam os trilhos da Estrada de Ferro Vitória a Minas em Tumiritinga. O protesto denuncia a falta de responsabilização dos envolvidos mais de 10 anos após o rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana. 

Segundo o movimento, famílias ainda aguardam indenização, e o assentamento de atingidos e as ações de recuperação ambiental previstas ainda não foram realizados. As participantes montaram um acampamento no local e afirmam que permanecerão até o avanço das negociações.

Ocupação do MST em Minas Gerais
Ocupação do MST em Minas Gerais | Crédito: Divulgação / MST

“O acampamento montado nos trilhos é território de luta e formação. De lá, as mulheres sem terra gritam por justiça e convidam toda a sociedade a se somar. Até que as negociações e a pauta sejam atendidas, o acampamento segue de pé”, diz o movimento.

Em Goiás, cerca de 500 mulheres ocuparam uma área de 8 mil hectares da Companhia Bioenergética Brasileira (CBB), em Vila Boa, a cerca de 165 quilômetros de Brasília. O movimento afirma que a empresa possui dívidas com a União e defende que a área seja destinada à reforma agrária. 

MST denuncia a demora do governo em desapropriar a usina que foi oferecida ao patrimônio da União
MST denuncia a demora do governo em desapropriar a usina que foi oferecida
ao patrimônio da União | Crédito: Comunicação MST

Ainda de acordo com o MST, a empresa acumula débitos tributários e trabalhistas e possui áreas embargadas por crimes ambientais. Em 2023, uma operação com participação do Ministério Público do Trabalho, da Polícia Federal e do Ministério do Trabalho e Emprego resgatou mais de 100 trabalhadores em condições análogas à escravidão em uma fazenda ligada ao grupo.

“A Usina CBB é inimiga do meio ambiente, operando o que chamamos de grennwashing, termo em inglês que se refere a práticas de maquiagem ou lavagem verde, pois escondem os crimes ambientais que cometem, explorando irregularmente o ambiente com práticas destrutivas”, diz trecho da nota do MST.

O MST aponta que dentro da sede da usina tem instalada, de forma irregular e sem nenhum tipo de licenciamento, um stand de tiros, que pode servir para diversas práticas irregulares, coagindo trabalhadores e utilizando deste espaço para inibir ações de Estado no território.

Em São Paulo, cerca de 400 mulheres ocuparam a fazenda Santo Antônio, localizada no município de Presidente Epitácio, no Pontal do Paranapanema, extremo oeste do estado. O movimento afirma que a mobilização busca pressionar o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) a destinar áreas públicas para assentamentos da reforma agrária. De acordo com o grupo, famílias permanecem há anos acampadas no estado à espera da criação de novos assentamentos.

A ação também denuncia a Lei Estadual nº 17.557 de 2022, conhecida como “Lei da Grilagem”, que favorece a regularização de terras públicas ocupadas por grandes proprietários. A legislação ganhou novo alcance com a promulgação da Lei nº 70.207 de 2025, que alterou a norma anterior e outras duas leis. Entre as mudanças está a retirada da obrigatoriedade de serviços de medição e demarcação pelo Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo durante a regularização de terras devolutas, caso a fundação considere válida a documentação apresentada.

Mulheres do MST ocupam área em Presidente Epitácio, em São Paulo
Mulheres do MST ocupam área em Presidente Epitácio, em São Paulo

A área ocupada em Presidente Epitácio tem cerca de 1.675 hectares e é classificada como terra devoluta, portanto pertencente ao Estado. Segundo o movimento, o local segue sob exploração privada voltada à pecuária e está sob posse de duas fazendeiras que, de acordo com o grupo, integram um conjunto de interessados em processos de regularização fundiária que somam cerca de 6.610 hectares no estado.

O Brasil de Fato entrou em contato com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, Ministério da Agricultura, os governo estaduais do Rio Grande do Sul e de São Paulo e com a usina CBB e aguarda retorno para atualização da reportagem.



« Voltar


Receba Nosso Informativo

X