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SINDICATO DOS SERVIDORES PÚBLICOS FEDERAIS NO ESTADO DE PERNAMBUCO
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Publicado: 13/08/2026
Do GGN
São inúmeros os exemplos históricos da chamada psicologia de massa do fascismo, tema que Sigmund Freud estudou nos anos 1920. Os mecanismos centrais descritos por Freud são conhecidos: a regressão do indivíduo a um funcionamento mais primitivo dentro da multidão; a substituição do superego individual pelo ideal do líder — ou de uma ideia-líder; e os laços libidinais verticais e horizontais entre os membros do grupo. Em outras palavras, vínculos afetivos dirigidos ao chefe, à causa ou aos próprios integrantes da massa, capazes de manter a coesão do grupo.
É nesses movimentos que explode o imbecil coletivo, expressão que Ortega y Gasset usava para classificar os primeiros movimentos de manada na era da comunicação.
A história está coalhada desses surtos: da Queda da Bastilha à ascensão do nazismo, dos movimentos de 1968 na França ao macartismo nos Estados Unidos, do golpe de 1964 no Brasil à campanha do impeachment de Fernando Collor — apesar de todos os vícios e defeitos do ex-presidente.
No Brasil, houve três fenômenos de grande proporção: a campanha contra Vargas, o golpe de 1964 e a Operação Lava Jato. Todos tiveram como mote a suposta luta contra a corrupção e contra o comunismo — seja lá o que seus protagonistas entendessem por comunismo.
O grau de maldade dos procuradores, da juíza e da delegada que levaram à morte do reitor Cancellier é fenômeno típico dessa psicologia de massa e da abolição de qualquer restrição ética nos movimentos de linchamento.
Mas não são eles que mais me impressionam. Eichmann está aí para ilustrar a transformação do funcionário público em monstro de crueldade.
A psicologia chama esse movimento de deindividuação: processo pelo qual uma pessoa, inserida em um grupo, perde temporariamente a noção de identidade individual e de responsabilidade pessoal, passando a agir de forma como jamais agiria sozinha. Fora daquele contexto — sem a multidão, sem a pressão situacional —, a pessoa “volta ao normal”, muitas vezes sem conseguir explicar inteiramente o próprio comportamento.
Não me refiro aos anônimos bestificados, mas a pessoas que assumiram a linha de frente desse linchamento continuado: jornalistas de nível, como Miriam Leitão e Reinaldo Azevedo; ministros do Supremo que hoje atuam como âncoras da estabilidade democrática, como Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes.
Não se trata de cobrança pura e simples, mas de tentar entender o fenômeno a partir de quem experimentou o sangue na boca e, hoje, tem papel relevante na defesa da democracia. Com a consciência que demonstram agora, como explicariam o que se passava em suas cabeças no auge do macartismo caboclo? Como explicariam a denúncia de estudantes e professores — como fazia Reinaldo —, de funcionários de terceiro escalão — como fazia Miriam —, ou a participação na conspiração do impeachment — como fazia Gilmar? Ou a manipulação continuada do noticiário, como fazia toda a mídia corporativa?
Qual era a pomba-gira condutora dessa irracionalidade? Dê-se a eles o benefício da ignorância: talvez não pudessem supor que, no fim da linha, apareceria um Bolsonaro. Mas se no fim da linha tivesse um Aécio, melhoraria o quadro? É evidente que não.
Ajudaram a destruir um arcabouço institucional duramente criado pela Constituinte e preservado nas décadas seguintes. E não pelo desfecho Bolsonaro, mas pelo método empregado.
Hoje, o país está ameaçado por fora — pelo novo padrão do imperialismo norte-americano — e por dentro — pelos quintas-colunas, pelo chamado mercado e pela invasão do crime organizado. Ao mesmo tempo, há uma incapacidade generalizada de pensar o país, de clarear corações e mentes para a importância de um grande pacto nacional.
Sem isso, torna-se inócuo até o trabalho meritório atual dos convertidos, de defesa da democracia e da grande Nação Brasil.