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O Dia da Consciência Negra será mais um dia de #ForaBolsonaro

Fonte: Ascom Sindsep-PE
12/11/2021




O Dia Nacional de Zumbi dos Palmares e da Consciência Negra será comemorado no próximo sábado (20), em todo o Brasil, como uma data de luta contra o racismo estrutural que existe na sociedade brasileira desde quando os primeiros navios negreiros cruzaram o oceano Atlântico, trazendo negros do continente africano para serem escravizados. Os atos e mobilizações que existem historicamente nesta data serão intensificados por causa da atual conjuntura política do país. Brasileiros e brasileiras sairão às ruas, nos mais diversos estados, em mais uma grande mobilização pelo impeachment do presidente Jair Bolsonaro. E o mote será: “Fora Bolsonaro Racista”. 

A luta antirracista será unificada às pautas da classe trabalhadora por mais emprego, renda, desenvolvimento e contra os altos preços de alimentos e combustíveis, que têm penalizado os brasileiros, em especial os mais pobres, e que é consequência da política econômica desastrosa de Bolsonaro.

No Recife, o ato de luta e resistência terá concentração, às 14h, na praça do Carmo, centro da cidade. De lá, os manifestantes sairão em caminhada pelas ruas centrais até o Marco Zero da cidade, no Bairro do Recife. "É muito importante que todos estejam presentes nestes atos. Afinal, as duas pautas, a luta contra o racismo e o Fora Bolsonaro, visam um modelo de sociedade com igualdade e justiça social", comentou o coordenador-geral do Sindsep-PE, José Carlos de Oliveira.  

Racismo 

O Brasil, em sua essência, é um país escravocrata e racista. Essa afirmação pode parecer exagerada para quem acredita na propagada harmonia entre as diversas classes, raças e agrupamentos sociais brasileiros e em uma miscigenação pacífica. Mas a história já demonstrou, em diversas ocasiões, que todas às vezes que o país inicia uma  fase de desenvolvimento e os integrantes das classes mais pobres ascendem economicamente e adquirem direitos trabalhistas, há uma grita geral da elite nacional e grande parte da classe média para que a antiga, arcaica e obsoleta estrutura social seja resgatada. 

Uma estrutura em que os pobres, em sua enorme maioria o povo da raça negra, estão sujeitos a formas de trabalho precarizadas e muitas vezes desumanas impostas pelos grupos que comandam os diversos setores econômicos, os governos, as instituições e as organizações nacionais. Grupos formados, em sua enorme maioria, por pessoas da raça branca. 

Segundo dados do IBGE, os negros brasileiros são maioria da força de trabalho em atividades como construção (62,6%), agropecuária (60,8%) e serviços domésticos (65,1%). Por outro lado, 75% dos ricos brasileiros são brancos. Eles estão em maior número nas atividades bem remuneradas em áreas como as de informação, financeiras, administração pública, educação, saúde e serviços. 

O percentual de pessoas que se declaram negras no Brasil é superior a 56%. Mas, segundo o IBGE, eles são minoria nas posições de liderança no mercado de trabalho e entre os representantes políticos no Legislativo. Também são uma parte ínfima da magistratura brasileira. No entanto, entre aqueles que não têm emprego ou estão subocupados, os negros são a maior parte. Também são maioria entre as vítimas de homicídio e mais de 60% da população carcerária do país. 

Estrutural

As discrepâncias acontecem porque o Brasil é um país onde as condições de organização da sociedade reproduzem a subalternidade dos negros e negras. A sociedade brasileira constituiu mecanismos que funcionam como reprodutores da desigualdade racial e que se sobrepõem a um racismo individual. Ou seja, a desigualdade racial é uma característica da sociedade não apenas por causa da ação isolada de indivíduos racistas, mas porque as instituições são hegemonizadas pelos brancos que utilizam mecanismos institucionais para impor seus interesses. 

O Brasil é um país onde o racismo é, antes de tudo, estrutural, reprodutor das condições sócio-políticas e econômicas de uma sociedade capitalista desigual.

"Quando ocorreu a abolição no Brasil, os negros foram descartados como mercadoria. Sem terras, sem trabalho, sem renda, sem moradia e sem educação. Foram jogados à própria sorte. O Estado tem essa dívida histórica com a população negra. E mesmo assim, só há pouco tempo, após décadas de luta do movimento negro, alguns avanços foram conquistados, como as cotas para universidades e concursos públicos, mas até hoje boa parte da população brasileira ainda é contra as cotas", comentou a diretora do Sindsep, Gislaine Fernandes. 

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