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Ômicron se propaga a ritmo inédito, diz OMS

Fonte: Rede Brasil Atual
15/12/2021



  • Duas doses da vacina Pifzer oferecem 70% de proteção contra hospitalizações pela ômicron, segundo estudo sul-africano - OMS África

 

Rede Brasil Atual

 “A ômicron está se propagando a um ritmo que não vimos com nenhuma outra variante”, afirmou nesta terça-feira (14) o diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom. Em entrevista coletiva, ele alertou que a velocidade de disseminação da nova variante do coronavírus pode levar a nova sobrecarga do sistema de saúde do mundo em poucas semanas.

O diretor da OMS ressaltou ainda que os países não devem subestimar a nova variante, ao considerarem como menos letal. “Mesmo que a ômicron de fato cause doenças menos graves, o número imenso de casos poderia sobrecarregar mais uma vez sistemas de saúde despreparados”, reforçou.
 
De acordo com a entidade, a nova cepa, primeiramente identificada na África do Sul há cerca de três semanas, já foi encontrada em 77 países. “Mas a realidade é que provavelmente a ômicron esteja na maioria dos países, embora ainda não tenham detectado”, destacou Adhanom.

Na mesma linha, o diretor executivo do Programa de Emergências da OMS, Mike Ryan, disse que o mundo, de forma geral, está a “algumas semanas” de distância da onda de infecções causadas pela ômicron. E disse que “é necessário agir agora” para evitar pressão nos hospitais.


Dose de reforço e demais cuidados
Nesse sentido, Adhanom reafirmou: as doses de reforço das vacinas contra a covid-19 são importante arma contra o agravamento da doença. Mas é fundamental que haja uma distribuição mais igualitária desses imunizantes. Nesse sentido, a OMS voltou a pedir que os países ricos priorizem o envio de vacinas para os países mais pobres, sem acesso a imunizantes, em vez de usá-las como dose de reforço apenas para suas populações. 

“É uma questão de priorização. A ordem importa. Dar reforços a grupos com risco baixo de doenças graves ou mortes simplesmente ameaça as vidas daqueles com risco alto que ainda estão esperando suas doses primárias por causa de restrições de suprimento”, disse ainda.

Por fim, ele ressaltou que, mesmo entre os vacinados, é necessário manter as demais medidas de proteção, para conter o avanço da doença. “Não são vacinas em vez de máscaras. Também não são vacinas em vez de distanciamento. Não são vacinas em vez de ventilação ou higienização das mãos. Faça tudo. Faça de forma consistente.”

Pfizer x ômicron
Estudo clínico realizado na África do Sul indica que duas doses da vacina da Pfizer/Biontech oferecem 70% de proteção contra hospitalização para pacientes contaminados pela ômicron. O índice é menor do que resistência de 93% conferida contra a variante delta. Da mesma maneira, a proteção contra infecções caiu para 33% contra a nova cepa, em relação aos 80% conferidos ante a variante anterior. Apesar da queda, a presidenta do SAMRC, Glenda Gray, disse que as vacinas da Pfizer oferecem uma boa proteção contra doenças graves e hospitalizações.

O levantamento foi feito pela rede de saúde privada Discovery Health, em parceria com o Conselho de Pesquisa Médica da África do Sul (SAMRC). Os pesquisadores analisaram 211 mil exames positivos de covid-19. Desse total, cerca de 78 mil foram registrados entre 15 de novembro e 7 de dezembro, quando o país registrou aumento repentino no número de casos, atribuído à ômicron.

A neurocientista Mellanie Fontes-Dutra, coordenadora da Rede Análise Covid-19, endossou a avaliação da especialista sul-africana. “Com duas doses já nos beneficiamos de alguma proteção”, ressaltou. “Agora, é extremamente relevante receber sua terceira dose, pois sabemos que há um impacto maior para o risco de infecção, e que a terceira dose aumenta muito os níveis de anticorpos por exemplo”, comentou, pelas redes sociais.

Por outro lado, o estudo também revelou uma menor taxa de hospitalização causada pela ômicron. Foi identificada uma proporção de 38 internações para cada mil confirmados de contaminação para a nova variante. Entre os contaminados pela delta, esse índice sobe para 101 a cada mil. Além disso, a proporção de pacientes em UTI é de 13% durante a onda atual de contaminações, em que a ômicron responde por 90% dos casos. Nas ondas anteriores registradas pelo país, o índice de internações em UTI alcançava 30%.

Covid no Brasil
O Brasil registrou nas últimas 24 horas 92 mortes pela covid-19. No entanto, oito estados (Bahia, Goiás, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Roraima, Rio de Janeiro, São Paulo e Tocantins) não enviaram dados, ainda em função da instabilidade no sistema do Ministério da Saúde desde o suposto ataque hacker, no final de semana.

Com esses números defasados, o total de óbitos confirmados chegou a 616.970 desde o início do surto da doença no país, em março de 2020. Além disso, em tais condições, foram confirmados 3.826 casos nas últimas 24 horas, de acordo com Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), totalizando cerca de 22,2 milhões (22.204.779).

Para auxiliar no controle da doença, o Observatório Covid-19 da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) lançou nova cartilha com orientações para as festas de fim de ano. Apesar da redução no número de casos e mortes no Brasil, os pesquisadores lembram que o surgimento da ômicron serve de alerta para o risco de agravamento da doença. Nesse sentido, o material destaca que a vacinação é a forma mais importante de proteção.

Mas outros cuidados, como manter os ambientes devidamente ventilados, também estão presentes. Até mesmo o uso de máscaras durante as confraternizações é recomendado, na medida em que é difícil garantir que todos os participantes estejam devidamente imunizados. Além disso, os encontros familiares também podem incluir crianças que ainda não foram vacinadas.

“Quem ainda não está com o esquema completo, recomendamos que vá ao posto de saúde 14 dias antes do evento para que possa estar protegido e ajudar a proteger os outros também. Essa é uma mensagem que gostaríamos que fosse muito compartilhada e incentivada nos grupos de família e amigos do WhatsApp”, ressaltou o coordenador do Observatório Covid-19, Carlos Machado.

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