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SINDICATO DOS SERVIDORES PÚBLICOS FEDERAIS NO ESTADO DE PERNAMBUCO
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Projeto, iniciativa da CUT, Condsef/Fenadsef, em parceria com Apib e CNTE, busca fortalecer a articulação entre movimento sindical e povos indígenas, além de apoiar a autonomia econômica e a defesa dos territórios tradicionais
Publicado: 24/09/2026
A aproximação entre o movimento sindical e os povos indígenas ganhou mais um espaço de diálogo nesta terça-feira, 22, durante a XI Assembleia Estadual da Juventude Indígena de Roraima. O projeto “Povos Indígenas e o Mundo do Trabalho”, iniciativa da CUT e da Condsef/Fenadsef, em parceria com a Apib e a CNTE, foi apresentado aos participantes do encontro, promovido pelo Conselho Indígena de Roraima (CIR).
Na apresentação, as entidades reforçaram o objetivo da proposta: fortalecer a articulação entre trabalhadores organizados e povos indígenas, valorizando a autonomia econômica, os territórios tradicionais e as agendas comuns de luta. A apresentação aconteceu na mesa “Fortalecendo a economia e sustentabilidade indígena”, que reuniu jovens e lideranças indígenas na Comunidade Indígena Camará, na região do Baixo Cotingo, na Terra Indígena Raposa Serra do Sol.
“Essa aliança estratégica ganha ainda mais relevância no atual contexto, marcado por um ano eleitoral e por uma conjuntura de debates que impacta ambos os campos, com riscos à destruição de direitos trabalhistas e o avanço da pejotização, e a desconstitucionalização de direitos indígenas”, destacou Aline Maciel, diretora da Executiva do Sindsep-DF, durante a apresentação.
Aline participou da atividade a partir de indicação de uma das coordenadoras do projeto, a diretora da Condsef/Fenadsef, Mônica Carneiro, e do secretário-geral da Confederação, Sérgio Ronaldo da Silva. Na Assembleia, ela representou a entidade na apresentação da iniciativa.
O projeto "Povos Indígenas e o Mundo do Trabalho" está organizado em três eixos. O primeiro prevê a criação de uma cesta com produtos indígenas para comercialização nos sindicatos. O segundo envolve a realização de exposições e debates sobre a diversidade do mundo do trabalho e as lutas dos povos indígenas. O terceiro prevê a produção de uma publicação reunindo experiências concretas de organização do trabalho indígena em diferentes regiões do Brasil.
Para Alex Capuano, representando a Secretaria Nacional de Economia Solidária da CUT Brasil, é fundamental destacar a importância de fortalecer as economias indígenas, como formas de economia solidária.
“Fortalecer as economias indígenas é também reconhecer a importância de formas de organização econômica baseadas na solidariedade, na cooperação e na autonomia das comunidades", aponta. "São experiências que valorizam os territórios, os saberes tradicionais e a produção coletiva, e que precisam ser apoiadas e fortalecidas como parte da construção de alternativas de economia solidária.”, conclui.
Unidade entre trabalhadores e povos indígenas

Aline Maciel (à esquerda) e Alex Capuano (à direita) participam da apresentação do projeto
"Povos Indígenas e o Mundo do Trabalho em RR (Foto: @Rayhata_pataxo)
A iniciativa parte do entendimento de que a defesa dos direitos trabalhistas e a defesa dos direitos dos povos indígenas possuem pontos de convergência e podem fortalecer uma agenda comum. A proposta é ampliar o diálogo e criar espaços permanentes de articulação entre sindicatos e organizações indígenas.
A defesa da demarcação e da proteção dos territórios indígenas é parte fundamental dessa agenda de articulação. O território garante as condições de vida e de organização das comunidades e também está relacionado à preservação ambiental e ao bem-estar de toda a sociedade.
"No atual contexto político, é importantíssimo que os trabalhadores sindicalizados fortaleçam a aliança com os povos indígenas, que também são trabalhadores, para que juntos tenhamos uma sociedade mais justa, democrática e plural", destaca o coordenador político da Apib, Paulino Montejo. "A defesa da demarcação e proteção dos territórios, base material da existência física, social, cultural e espiritual dos povos indígenas, é fundamental para enfrentar as crises atuais: climática, ambiental, hídrica e alimentar", reforça.
Por isso, fortalecer as iniciativas de produção e economia solidária indígena e ampliar o apoio dos sindicatos às comunidades são caminhos apontados pela iniciativa para aproximar as duas frentes de organização social.
Juventude indígena

Jovens indígenas participam da Assembleia promovida pelo CIR em Roraima
Foto: Alex Capuano/CUT
A XI Assembleia Estadual da Juventude Indígena de Roraima reúne jovens de diferentes povos e representantes das 11 etnorregiões do estado, segundo a organização. O encontro é um espaço de formação, diálogo, troca de experiências e articulação entre jovens, lideranças e organizações indígenas.
A programação segue até sexta-feira, 25, com debates, apresentações, oficinas e atividades voltadas ao fortalecimento da juventude indígena. Na sexta, a atividade será na sede da CUT-RR, em Boa Vista.
Durante a Assembleia, os participantes também receberam um kit da CUT relacionado ao projeto “Povos Indígenas e o Mundo do Trabalho”, que já passou a fazer parte das atividades do encontro.