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Raio-x eleitoral: onde a esquerda cresceu, onde a direita liberal manteve hegemonia

Fonte: Brasil de Fato
16/11/2020



As eleições municipais 2020 ficarão marcadas pelo fortalecimento dos partidos de esquerda entre as 100 maiores cidades do país e pelo fracasso da maioria das candidaturas identificadas com a ultradireita ou apoiadas pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Ao mesmo tempo, a direita tradicional ganhou terreno e deve manter hegemonia eleitoral em várias capitais.

Em sete delas, a eleição foi decidida em 1º turno com vitórias da direita e centro-direita: Belo Horizonte (MG), Curitiba (PR), Natal (RN), Palmas (TO), Florianópolis (SC), Salvador (BA) e Campo Grande (MS). Nas outras 18 capitais, haverá 2º turno.

Análise

Fortaleza (CE), com Capitão Wagner (PROS), e Rio de Janeiro (RJ), com Marcelo Crivella (Republicanos), foram as únicas capitais onde o bolsonarismo avançou ao 2º turno. Por outro lado, na capital fluminense, o candidato a vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos), filho do presidente, obteve menos votos que Tarcisio Motta (PSOL) – ambos foram eleitos.

No campo progressista, uma das maiores surpresas do último mês de campanha foi a ascensão de Guilherme Boulos (PSOL) em São Paulo (SP), maior cidade do país. O líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) avançou ao 2º turno com 20,3% dos votos e enfrentará o atual prefeito Bruno Covas (PSDB) no dia 29 de novembro.

Para Vitor Marchetti, cientista político e professor da Universidade Federal do ABC (UFABC), os números podem sinalizar um novo momento da esquerda brasileira.

“São Paulo demonstra que a esquerda está viva e passa por um período de reposicionamento, em que o PT deixa estar necessariamente no centro, embora mantenha o protagonismo, por toda sua história”, analisa.

Segundo ele, o reposicionamento pressupõe uma compreensão mais ampla do papel desempenhado pelos demais setores. “As eleições mostram que é preciso pensar como a esquerda pode fazer frente à centro-direita, que gradativamente substitui o bolsonarismo no cenário eleitoral, e tem o poder econômico na mão.”

Um dos exemplos seria o próprio Covas, que “não terá uma situação eleitoral tão confortável no segundo turno quanto as pesquisas sinalizavam”, na visão de Marchetti.

“A esquerda tem capacidade de mobilização e muita força eleitoral, mas o momento exigirá características diferentes do que a gente tinha até o ‘tsunami’ do antipetismo”, finaliza o cientista político.

Nas cem maiores cidades, PT e PSOL ganharam terreno e têm chance de vitória em pelo menos 12. Confira.

Hoje, as duas siglas não estão à frente do Executivo em nenhum dos municípios da lista. 

Recife (PE) será a única capital com segundo turno entre duas candidaturas progressistas: os primos João Campos (PSB) e Marília Arraes (PT). Em Porto Alegre (RS), Manuela D’Ávila (PCdoB) avançou ao segundo turno contra Sebastião Melo (MDB).

Para Katia Marko, jornalista do Brasil de Fato no Rio Grande do Sul, o resultado expressa o “cansaço” dos gaúchos com o bolsonarismo e a direita liberal.

“Porto Alegre tem um histórico de construção política, sediou o Fórum Social Mundial. E a população mostrou nas urnas que deseja resgatar o que vivemos durante aquele período e que foi abafado por algum tempo”, analisa.

Marko ressalta que a esquerda também estará presente no segundo turno em outras cidades importantes do estado, como em Caxias do Sul (RS), com Pepe Vargas (PT).

“A população está vendo o que o bolsonarismo está fazendo com o país, e sem uma rede do ódio tão estruturada como a que a gente viu nas eleições de 2018, ficou mais fácil mostrar as propostas do campo popular”, completa a jornalista.

Gênero e raça

Dos 44 candidatos que disputarão 2º turno nas capitais, 15 são negros e apenas cinco são mulheres.

Entre as mulheres,  Cinthia Ribeiro (PSDB), em Palmas (TO), é a única que passa ao segundo turno liderando o pleito eleitoral em seus municípios. Manuela D’Ávila (PCdoB), em Porto Alegre (RS), Socorro Neri (PSB), em Rio Branco (AC), Marília Arraes (PSB), em Recife (PE), e Delegada Danielle (Cidadania), em Aracaju (SE), continuam na disputa.

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mulheres são 52,49% do eleitorado apto a votar no país. Em 2016, apenas uma mulher foi eleita à Prefeitura de uma capital brasileira: Teresa Surita (MDB), em Boa Vista (RR). 

Os dois indígenas que se candidataram à prefeitura das capitais, Minoru Kinpara (PSDB), em Rio Branco (AC), e Vinícius Miguel (Cidadania), em Porto Velho (RO), foram derrotados em 1º turno.

Nas eleições para vereador, Curitiba (PR) fez história ao eleger a primeira vereadora negra, Carol Dartora (PT).

 

Edição: Rodrigo Durão Coelho

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