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SINDICATO DOS SERVIDORES PÚBLICOS FEDERAIS NO ESTADO DE PERNAMBUCO
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Publicado: 09/01/2026
Do Brasil de Fato
Burkina Faso voltou a viver dias de forte tensão política neste início de 2026 após o governo denunciar uma nova tentativa de golpe. A estratégia, segundo o ministro da Segurança do país, Mahamadou Sana, consistia em matar o presidente Ibrahim Traoré e eliminar altos funcionários da gestão, para desestabilizar e provocar uma intervenção militar externa no país do Sahel. A conspiração, segundo autoridades locais, envolveu militares dissidentes e contou com apoio externo.
O plano golpista ajuda a compreender a relevância das vigílias populares, que nasceram em resposta a uma tentativa de golpe em abril de 2025. A iniciativa consiste na organização do povo para proteger o presidente e o projeto revolucionário que ele simboliza. Foi nesse contexto que o Brasil de Fato acompanhou de perto, no ano passado, o surgimento dos wayian, grupos de vigilância cidadã que transformaram o espaço urbano em espaço permanente de mobilização política.
Andar à noite por Uagadugu, capital de Burkina Faso, é testemunhar um movimento coletivo que tomou conta do país. Nas rotatórias, os chamados rond points, parte da população se reúne diariamente a partir das 17h. São, em sua maioria, homens e jovens que permanecem ali até as cinco da manhã.
Amadé Maiga, coordenador das Associações de Vigilância Cidadã, está à frente de um dos 24 pontos da capital, o round point Ibrahim Traoré, que é o mais próximo da sede da presidência. Ele explica a dimensão nacional dessa mobilização.
As vigílias cidadãs nasceram como resposta imediata à tentativa de golpe ocorrida em abril deste ano, que levou milhares às ruas do país e do mundo em defesa de Traoré. O plano dos golpistas, classificado como um “grande complô” pelo governo burquinabê, incluía um assalto à presidência e ataques terroristas de grande escala.
O ministro da Segurança, Mahamadou Sana, afirmou na época que os articuladores estariam instalados na Costa do Marfim, país aliado da França na região. Desde o episódio, a população mantém a guarda ativa.
Para Maiga, passar as madrugadas nas rotatórias, noite após noite, é defender a revolução e um novo futuro para o país: “Toda a África também será integrada nesta revolução, porque o povo não é como o povo de antes. O país nunca poderá se desenvolver se não houver revolução.”
Já na saída de Uagadugu, a rotina da vigília no round point da Juventude é sempre a mesma: o grupo se encontra no fim da tarde, compartilha alimentos, o chá, recebe solidariedade de quem passa. E vigia. É o que conta Zongo Abdoul Salam, que compõem o Movimento Africano pela Independência Total.
“Das 17h às 20h, nos reunimos todos aqui. Cada um chega na hora que puder. E, a partir das 20h, ficamos aqui e vigiamos até as 5h da manhã do dia seguinte. A solidariedade está viva entre nós”, conta Salam.
Assim como nos anos 1980, durante a revolução liderada por Thomas Sankara, Burkina Faso volta a apostar em um projeto ambicioso de industrialização e autossuficiência alimentar. O apoio popular é massivo, especialmente entre os jovens, que representam quase 70% da população. Um dos vigilantes resume esse sentimento ao falar sobre os avanços econômicos:
“Quando o capitão Ibrahim Traoré chegou em Burquina Faso, apesar de sermos um país produtor de ouro, não tínhamos reservas de ouro. Agora, em dois anos, temos mais de 32 toneladas de ouro em reserva, além do que vendemos para desenvolver a economia do país. Ele não é só nosso presidente. É o presidente de toda a África”, finaliza o Salam.