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SINDICATO DOS SERVIDORES PÚBLICOS FEDERAIS NO ESTADO DE PERNAMBUCO
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Publicado: 19/06/2026
Do Brasil 247
Por Leonardo Attuch
O senador Jaques Wagner tem todo o direito à presunção de inocência. Esse é um princípio fundamental do Estado Democrático de Direito e deve valer para todos, inclusive para adversários políticos. Ele deve ter o direito de se defender, de apresentar suas explicações e de demonstrar, se for o caso, que não cometeu qualquer irregularidade no episódio envolvendo o Banco Master.
Mas uma coisa é a esfera jurídica. Outra, completamente diferente, é a esfera política. E, politicamente, a permanência de Jaques Wagner como líder do governo Lula no Senado se tornou insustentável.
Nesse cargo, não basta ser inocente. É preciso também não se tornar um problema político para o governo que se representa. E Wagner, neste momento, virou um problema político para Lula.
Se Jaques Wagner é, de fato, amigo de Lula, é ele quem deveria tomar a iniciativa de entregar o cargo de líder do governo no Senado. Não para admitir culpa. Não para abrir mão de sua defesa. Não para se submeter a uma condenação antecipada. Mas para evitar que o presidente Lula, o governo federal e o projeto político que hoje enfrenta a extrema direita sejam arrastados para uma crise que não lhes pertence.
A manutenção de Wagner na liderança virou um presente para a oposição. É tudo o que os adversários de Lula desejam: um líder do governo sob investigação, sendo obrigado a se explicar, enquanto o Planalto tenta sustentar sua articulação política no Congresso e preparar a disputa pela reeleição.
Para quem apoia Lula, como é o caso do Brasil 247, essa não pode ser uma questão pessoal. O Brasil é muito mais importante do que Jaques Wagner. A reeleição de Lula é muito mais importante do que a permanência de qualquer aliado em qualquer cargo. E a defesa do atual projeto de desenvolvimento e inclusão social não pode ficar refém da biografia de ninguém.
Wagner tem uma história relevante. Foi governador da Bahia, ministro, dirigente importante do PT e interlocutor de Lula por décadas. Mas justamente por conhecer a dimensão da responsabilidade que carrega, deveria compreender que há momentos em que o único gesto possível é sair.
Sair para preservar o governo. Sair para não criar novos constrangimentos. Sair para não dar munição diária à oposição. Sair para permitir que Lula reorganize sua liderança no Senado com alguém que não esteja no centro de uma crise policial e política.
Diante do caso Wagner, o governo Lula, é preciso reconhecer, tem um ponto importante a seu favor neste caso: a Polícia Federal atua com autonomia. Não há blindagem política. Não há interferência indevida. Não há tentativa de sufocar investigação. Isso diferencia o atual governo do antecessor, de Jair Bolsonaro, e reforça o compromisso institucional com a apuração dos fatos.
Mas justamente por isso Wagner deveria compreender que sua permanência na liderança se tornou ainda mais difícil. Se a Polícia Federal tem autonomia para investigar, o governo também precisa ter autonomia política para se proteger dos efeitos de uma investigação que atingiu seu líder no Senado.
Não basta dizer que o caso é individual se o investigado continua ocupando uma posição de representação direta do governo.
Também é correto lembrar que o caso Banco Master atinge fortemente o campo bolsonarista, especialmente pelas relações de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro e pelas cobranças relacionadas ao filme Dark Horse. É legítimo que o PT explore essas conexões e mostre à sociedade onde estão as relações mais comprometedoras no escândalo. Mas isso não elimina o problema Wagner. Uma coisa não anula a outra.
Flávio Bolsonaro deve dar explicações sobre suas relações com Vorcaro. Hugo Motta deve dar explicações sobre o empréstimo de R$ 22 milhões pedido à cunhada. Mas Jaques Wagner também precisa entender que, neste momento, sua presença na liderança do governo prejudica o presidente Lula. E prejudicar Lula, neste momento histórico, significa prejudicar o Brasil.
O país vive uma disputa decisiva. De um lado, está a tentativa de reconstrução democrática, de defesa da soberania nacional, de retomada de políticas sociais e de reposicionamento do Brasil no mundo. De outro, está a extrema direita, que já demonstrou desprezo pela democracia e segue tentando voltar ao poder com Flávio Bolsonaro.
Nesse contexto, não há espaço para vaidades pessoais, apego a cargos ou argumentos baseados em amizade. Se Wagner é amigo de Lula, deve demonstrar esta amizade de forma concreta. E, neste momento, ajudar Lula significa sair com dignidade. Sair para não colocar em risco um projeto político muito maior do que ele.
O sentimento de muitos apoiadores do presidente é claro: Wagner deve entregar o cargo. Não porque esteja condenado. Não porque tenha perdido seus direitos. Mas porque a política exige responsabilidade, senso de oportunidade e capacidade de colocar o coletivo acima do interesse individual.
O Brasil é maior do que Wagner. O projeto representado pelo presidente Lula é maior do que Wagner. E a reeleição é decisiva demais para ser colocada em risco por um constrangimento que pode e deve ser resolvido com um gesto simples: pedir para sair.