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Servidores da Funai realizam paralisação nacional nesta quinta (23)

20/06/2022




Os servidores da Funai irão realizar um ato nacional com paralisação de atividades na próxima quinta-feira, dia 23 de junho. Durante a semana, serão promovidas assembleias estaduais para debater a possibilidade de uma greve por tempo indeterminado e serão realizadas vigílias permanentes em frente a Funai em todo o Brasil. Essas deliberações foram aprovadas por consenso durante plenária nacional extraordinária que aconteceu pela plataforma Zoom na última sexta-feira (17). 

A reunião, que aconteceu em meio a indignação provocada pelos assassinatos de Bruno Pereira, servidor licenciado do órgão, e do jornalista inglês, Dom Phillips, contou com a participação de um grande número de servidores e servidoras.

Os trabalhadores cobram a apuração, até o fim, das responsabilidades pelos assassinatos de Bruno e Dom e o atendimento de pautas urgentes, como a mudança imediata na política indigenista do governo Bolsonaro marcada por invasões de terras indígenas, destruição do meio ambiente, represálias e perseguições aos servidores, inclusive com abertura de processos administrativos (PADs). A saída imediata do presidente da Funai, o delegado da Polícia Federal, Marcelo Xavier, e de sua equipe de ruralistas e militares é outro eixo central da pauta.

Os funcionários públicos reivindicam que o ministro da Justiça e Segurança Pública, o também delegado da Polícia Federal, Anderson Torres, receba imediatamente uma comissão da Condsef e demais entidades representativas dos trabalhadores para discutir a pauta emergencial e o encaminhamento da pauta estruturante apresentada. 

Os servidores exigem o envio imediato das forças de segurança pública para assegurar a integridade física dos que atuam nas Bases de Proteção do Vale do Javari – Quixito, Curuçá e Jandiatuba, nas sedes das CRs do Vale do Javari e CFPE-VJ, região onde Bruno e Dom desapareceram. Eles também cobram o imediato envio de força tarefa para apoio aos servidores e às atividades das CRs Alto Solimões e Vale do Javari, bem como da FPE-V. 

A luta contra o chamado "Marco Temporal" junto aos movimentos sociais indígenas também será intensificada. Além disso, a categoria exige que nenhuma retaliação afete servidores mobilizados e em greve, incluindo questões como mudanças de lotação, exoneração de cargos e abertura de sindicâncias administrativas. 

A violência no Vale do Javari, região onde Bruno e Dom foram assassinados, tem conexões com ampla cadeia de crime organizado. Inúmeras denúncias e relatórios que detalham seus integrantes e métodos de atuação já se encontram, inclusive, nas mãos das autoridades policiais. Com o governo Bolsonaro, diversos grupos criminosos se sentiram livres para agir na Amazônia, promovendo uma série de atividades ilegais. Desde então, a região passou a ser comandada pelo crime organizado e por empresas criminosas que representam o capitalismo predatório. São narcotraficantes, traficantes da biodiversidade e de animais, garimpeiros ilegais, invasores de terras indígenas, contrabandistas de madeira e de metais preciosos e predadores e destruidores da floresta.

O presidente

Marcelo Xavier é próximo de deputados da chamada bancada ruralista do Congresso. Ele foi aprovado em dois concursos para o cargo de delegado de Polícia Federal no ano de 2004, sendo um de âmbito regional e outro nacional. Em um deles, a avaliação psicológica concluiu que Xavier não era recomendado para o cargo de delegado, embora tenha sido aprovado na avaliação psicológica do outro concurso. Quando atuava como delegado, o seu trabalho foi investigado em duas apurações internas da PF. 

Em 2016, trabalhou na CPI da Funai e do Incra a convite de deputados da bancada ruralista - o relatório final da CPI pediu o indiciamento de antropólogos, indígenas, servidores públicos da Funai e de integrantes de ONGs. Para entidades ligadas aos indígenas, a nomeação de Xavier é parte da estratégia do governo para evitar novas demarcações de terras e atrapalhar os trabalhos da Funai.

Em dezembro de 2021, os servidores da Funai entregaram uma carta de reivindicações ao presidente Marcelo Xavier. A carta de reivindicações contém 23 pontos principais. Mas nenhum deles foi atendido.  

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