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Sindsep lamenta o falecimento do padre Reginaldo Veloso

20/05/2022



  • Veloso participou assiduamente de mobilizações realizadas no Recife

A direção do Sindsep-PE lamenta o falecimento do padre Reginaldo Veloso, ex-pároco do Morro da Conceição, na Zona Norte do Recife, e uma das maiores referências da luta popular no Brasil. Humanista e dedicado às causas sociais, o padre morreu na noite dessa quinta-feira (19), por volta das 23h, aos 84 anos, em meio a um tratamento contra um câncer na bexiga.

O velório ocorre, nesta sexta-feira (20), na Escola Padre João Barbosa, no Morro da Conceição, localizada atrás da imagem de Nossa Senhora. 

Veloso foi administrador da paróquia de Santa Maria, na Macaxeira, e da paróquia do Morro da Conceição, nas décadas de 1970 e 1980, quando foi expulso das suas funções sacerdotais por ligações com a Teologia da Libertação. Nascido em São José da Laje, no estado de Alagoas, Reginaldo Veloso foi para Roma em 1958, onde estudou Teologia e História da Igreja. Em 1961, foi ordenado padre, dois dias antes da conclamação do Concílio Vaticano II, retornando ao Brasil em 1968. 

Ele retornou ao país com uma nova visão sobre a sociedade e passou a contestar as posições conservadoras da igreja. Em 1973, escreveu junto com outros bispos o documento “Eu Ouvi os Clamores do Meu Povo”. O documento reivindicava trabalho para a multidão de desempregados da época e o atendimento de necessidades básicas, como moradia, transporte, água e outros direitos fundamentais, o que provocou a ira do governo militar.

Como resultado, o padre Reginaldo foi levado para interrogatório por agentes do Dops. Queriam saber quem eram os autores do documento, mas ele respondeu com nomes da extrema-direita. 

Nesse período, o papado de João Paulo II iniciou um caminho de volta ao conservadorismo católico, com uma igreja voltada apenas aos dogmas religiosos e alienada das necessidades básicas do povo. Com um novo arcebispo em Recife, após a renúncia de Dom Helder Câmara, em 1985, foram fechados institutos de teologia na capital e alguns padres progressistas foram expulsos. 

Reginaldo foi afastado das suas funções na paróquia do Morro da Conceição, em 1989. Quando tentaram ocupar a igreja para substituí-lo, os moradores esconderam a chave. Os policiais foram chamados ao local e, quando chegaram lá, a população fez um cordão de isolamento em volta da igreja. Depois, acenderam um balão, colocaram a chave e o soltaram.

Destituído da paróquia, o padre foi suspenso de suas funções sacerdotais, como celebrar missas e batismos e assistir a matrimônios. Ele casou com sua antiga secretária, Edileuza Osório Pereira, com quem teve um filho, João José. 

Mas Reginaldo Veloso nunca deixou de participar dos movimentos sociais e da luta pela democracia. Esteve em grande parte das mobilizações realizadas no Recife contra o golpe que retirou a ex-presidenta Dilma Rousseff do Poder, nas diversas manifestações contra Michel Temer e contra Jair Bolsonaro. O documentário em curta-metragem Reginaldo Veloso: O Amor Mais Profundo conta a trajetória social e política do padre.

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