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Terras raras: a Terrabras é nossa!


O Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo e agora tem sua principal mina subordinada aos EUA

Publicado: 23/04/2026

Terras raras. Foto: Camila Cunha / Serviço Geológico do Brasil

Do GGN
Por Luis Nassif

Há 40 anos Lula tornou-se a única referência de candidato democrático. Tornou-se o presidente de maior respeitabilidade internacional e viveu uma etapa épica, enfrentando uma campanha policial, saindo para salvar o país do dessastre Bolsonaro 2. Com todo esse cabedal, não tem o direito de jogar fora a última grande oportunidade do Brasil tornar-se uma potência grande e justa.

A maneira como o governo está trabalhando a questão das terras raras é irresponsável. Nem toda a vida épica de Lula, nem a maneira como salvou o país em 2022 e poderá salvar agora, o absolverá, perante a história, de jogar fora a oportunidade aberta pelas terras raras. Ou se entrar nessa campanha sem um desenho de futuro, um plano de metas.

Nesse momento, corre em regime de urgência na Câmara o PL 2780/2024 que é a expressão mais acabada do entreguismo.

O PL escancara as exportações de terras raras. Não impõe nenhuma obrigação de beneficiamento antes da exportação. Cria um Regime Aduaneiro Especial que inclusive reduz a carga tributária da exportação do minério em bruto. Em vez de induzir investimentos na cadeia industrial — produção de ligas, ímãs, semicondutores —, o regime cria atalhos para que os minerais saiam quase in natura.

O relator Arnaldo Jardim desempenha um papel irresponsável em relação ao país. Valendo-se da cobertura jornalística vergonhosa, anuncia que “o Brasil não deve ser mero exportador de commodities” e que a intenção é “atrair capital externo para processamento de insumos essenciais”. Mera retórica! O próprio texto contradiz esse objetivo: a intenção não é restringir exportação, mas atrair capital externo para processamento. São instrumentos inteiramente voluntários, sem nenhuma contrapartida obrigatória de industrialização. O máximo que chega é criar uma alíquota ridícula de 0,6% para investimentos em tecnologia.

A reação do governo Lula, através do Ministro das Minas e Energia , Alexandre Silveira, foi similar ao de Arnaldo Jardim. Em entrevista à Globonews, Silveira, usou e abusou da palavra soberania, industrialização.

Para vergonha de todos os democratas, até o general Pazuello comportou-se de uma forma mais responsável em relação ao tema. Apresentou o PL 3829/2025 impondo a obrigatoriedade de beneficiamento nacional a todos os minerais estratégicos, proibindo a exportação em estado bruto; exigindo etapas mínimas de processamento no país.

Há uma corrida contra o relógio. Ontem, mais uma usina foi vendida para estrangeiros.

 

Segundo o economista Diógenes Breda, economista e professor na Universidade Federal de Uberlândia, não se tratou apenas de um mina vendida, mas da ‘águas profundas das minas de terras raras brasileiras’.

A mina de terras raras de argilas iônicas no Brasil, única fora da Ásia a produzir os quatro minerais essenciais para ímãs permanentes, foi vendida para a USA Rare Earth, integrada à Estratégia de Segurança Nacional dos EUA.

Em 2025, a USA Rare Earth recebeu US$ 1,6 bilhão do Departamento de Defesa dos EUA e US$ 625 milhões da DFC (Development Finance Corporation), ligada ao Departamento de Comércio dos EUA.

A aquisição inclui cláusula de venda exclusiva para os EUA por 15 anos, com preços mínimos garantidos pelo governo americano.

Apesar de ser um dos cinco maiores exportadores mundiais de minérios, as grandes mineradores mundiais têm forte penetração e influência nos ministérios, dificultando o desenvolvimento de planos nacionais. O maior lobby do setor é o IBRAM (Instituto Brasileiro de Mineração), que representa 85% das mineradoras no país, influenciando opinião pública e editoriais contra a criação de uma estatal brasileira nos moldes da Petrobras, apelidada de Terrabras.

O Ministério de Minas e Energia, liderado por Alexandre Silveira, mostra resistência a políticas de fortalecimento da cadeia produtiva e à criação de estatais para o setor e limita-se a ser um agente de lobby de grandes grupos.

México (2022): criação de empresa estatal de lítio, monopolizando a exploração.

Indonésia: proibição da exportação bruta de níquel, formação de estatal em parceria com empresas internacionais (principalmente chinesas), desenvolvendo cadeia produtiva local.

O avanço sobre as jazidas nacionais

O quadro do avanço estrangeiro sobre as terras raras ficou assim, em pesquisa efetuada com o auxilio de IA:

O mapeamento está completo. Os pontos mais reveladores para fins investigativos:

A dominância australiana. Das empresas com projetos identificáveis, pelo menos seis são australianas, listadas na ASX. O modelo padrão é abrir uma subsidiária brasileira, obter os alvarás, e manter o controle e o destino da produção em Sydney. Não há exigência legal que impeça isso — e o PL 2780 não cria nenhuma.

O pico de 2024 e o esgotamento. O número de alvarás caiu de 1.108 em 2024 para 683 em 2025 — explicado pelo esgotamento do estoque de áreas com ambiente geológico favorável já mapeado. Quem chegou primeiro — e são empresas estrangeiras — ficou com as melhores posições.

A BRE e o modelo Carester. A Brazilian Rare Earths, apoiada pela bilionária australiana Gina Rinehart, planeja extrair na Bahia e refinar na França — pela planta Caremag em Lacq. O Brasil fica com o buraco no chão; a França fica com o produto processado de alto valor.



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