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Um Brasil à deriva sob um governo que promove o desmonte do Estado

06/06/2022




O Brasil está à deriva e a única ação executada pelo governo Bolsonaro é a de entregar o que o dinheiro estrangeiro quer comprar: das riquezas minerais aos produtos agrícolas de exportação; de empresas de saneamento básico e distribuição de eletricidade a ações de grandes empresas e títulos da dívida pública. Essa é a conclusão do último Boletim de Conjuntura elaborado pelo Dieese. Segundo o documento, o centro da estratégia neoliberal do governo Bolsonaro é o desmonte do Estado nacional, com o enfraquecimento e a eliminação dos instrumentos que permitem coordenar políticas de desenvolvimento autônomas. 

O Boletim deixa claro que a adoção de uma política neoliberal no Brasil, acelerada com o golpe, após 2016, mostrou ser impossível centrar a economia na lógica do arrocho fiscal, monetário e de salários e alcançar níveis de crescimento econômico que permitam o aumento do emprego e renda e a melhoria da qualidade de vida da população. 

“Estamos em um processo de desconstrução do país, perda da relevância do Brasil no cenário internacional e aumento absurdo da pobreza e da fome. Precisamos mudar o rumo. Temos que eleger um novo presidente que mude as prioridades. O Estado deve ter como principal objetivo resolver as grandes mazelas de nossa sociedade. Da qual, sem sombra de dúvidas, a desigualdade social é a pior delas. A solução para superarmos essa desigualdade deve estar no centro da construção de todas as políticas públicas do novo governo. Mudar de rumo é repensar um Brasil para todos e todas e não um Brasil para poucos”, destacou o economista e diretor técnico do Dieese, Fausto Augusto Junior. 

Fausto esteve reunido com integrantes do escritório do Dieese no Recife, na última sexta-feira (03), no Sindsep-PE. Para ele, a questão da geração de postos de trabalho é um ponto fundamental para a superação da desigualdade. “Não se pode tomar uma decisão sobre a taxa de juros apenas para conter a inflação. Qualquer decisão da área econômica deve levar em consideração a economia real da população brasileira desempregada. Hoje, o Brasil possui cerca de 12 milhões de desempregados. Também é necessário a implementação de políticas emergenciais para os 19 milhões de pessoas que hoje passam fome. A política de valorização do salário mínimo também deve ser retomada”, observou Fausto Augusto.  

A favor da desigualdade

O Boletim do Dieese lembra que o conjunto de ações implementado desde o impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff, resultou no rebaixamento progressivo do padrão de vida da classe trabalhadora. Entre os instrumentos usados com esse propósito estão a Emenda Constitucional  Nº 95 (Teto de gastos), a contrarreforma trabalhista, a liberação geral da terceirização, a contrarreforma da Previdência e  o desmonte do aparato estatal de fiscalização ambiental. Fausto lembrou que, ao contrário do que foi propagado com o objetivo de ganhar o apoio da população para a aprovação das “reformas” no pós-golpe, o que cria emprego é o crescimento econômico e o desenvolvimento social.

“Precisamos enterrar aquela frase do Delfim Neto de que teríamos que fazer o bolo crescer (a economia), para depois distribuir (a renda). Na verdade, deve ser feito o contrário. Nós defendemos a política de multiplicação dos pães. Quanto mais se distribui, mais o país cresce”, afirmou.

O Dieese constata que a aceleração da inflação no Brasil é um dos aspectos mais devastadores para as condições de vida da classe trabalhadora. A variação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do IBGE, que mede a inflação oficial, atingiu 1,06% em abril, acumulando 12,13% em 12 meses, a maior taxa desde outubro de 2003, quando chegou a 13,98%. Só nos primeiros quatro meses de 2022, a taxa já alcançou 4,29%. 

Esse cenário de destruição se tornou ainda pior com a persistente pandemia e o morticínio decorrente da atuação (ou falta de atuação) do governo federal. Mas o drama da carestia no Brasil não tem a pandemia como culpada. Muito menos a guerra da Ucrânia. “Na verdade, foram escolhas deste governo de desorganizar os nossos estoques reguladores de preços dos alimentos, desmontar os programas da nossa agricultura familiar e continuar adotando uma política internacional dos preços dos combustíveis. Temos uma cesta básica que subiu quase 28% em um ano”, comentou Fausto.  
 

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