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Variante Ômicron oferece risco ‘muito alto’, segundo a OMS. Cenário é de incertezas

Fonte: Rede Brasil Atual
30/11/2021



  • Números da Covid segundo a Conass

 

Rede Brasil Atual

São Paulo – O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanon, avaliou os riscos da variante Ômicron do coronavírus como “muito altos”. Cientistas de todo o mundo correm com estudos e análises para identificar com maior clareza quais são os desafios. Ao menos três farmacêuticas já trabalham em vacinas específicas contra a nova mutação. Entre os maiores receios, estão o de maior transmissibilidade e escape vacinal.

“A variante Ômicron tem um número sem precedentes de mutações na proteína Spike do vírus, algumas das quais são preocupantes por seu potencial impacto na trajetória da pandemia”, disse Adhanon. A proteína em questão é utilizada pelo vírus para infectar células humanas e, por isso, também nela que a maioria das vacinas disponíveis atua para neutralizar a doença. Mutações deste tipo podem fazer com que o vírus circule com maior facilidade mesmo entre vacinados.

 
Alerta elevado
Por outro lado, cientistas esperam que as vacinas disponíveis sigam conferindo grau de proteção, especialmente contra casos graves e internações. A Pfizer deve divulgar entre esta semana e a próxima um estudo de eficácia do imunizante. Já o médico e conselheiro da Casa Branca para a covid-19 Anthony Fauci disse que “obviamente estamos em alerta elevado”. Entretanto, garantiu que “vacinas continuam sendo a melhor ferramenta”. “Temos as melhores vacinas (…) temos mais ferramentas hoje para combater a variante. Todos devem tomar vacinas. Tomem também as doses de reforço”, afirmou, após reunião com o presidente Joe Biden.

Biden disse, após se aconselhar com especialistas, que “vacinas seguirão garantindo grau de proteção contra covid-19 severa”. O presidente ainda reforçou pedido de colaboração para os cidadãos. “Por favor, continuem usando máscaras em locais fechados, em locais públicos, em volta de outras pessoas. Isso vai te proteger, vai proteger aqueles ao redor. Se tivemos a população vacinada e usando máscaras, não precisaremos de lockdown.”
 
Em razão da Ômicron, o G7, grupo das sete maiores potências do mundo, organizou hoje uma reunião extraordinária. O encontro foi convocado pela Inglaterra que, assim como outros países europeus, elevou restrições, impôs quarentenas a vacinados, fechou fronteiras seletivamente e reforçou o uso de máscaras. Entretanto, o primeiro-ministro do país disse que “não sabemos ainda exatamente quão efetivas serão as nossas vacinas contra a ômicron, mas temos boas razões para acreditar que darão pelo menos alguma medida de proteção”.

Vai chegar
Fauci ainda disse que é questão de tempo para o país registrar o primeiro caso, e que a variante deve se tornar dominante. Na África do Sul, que identificou o vírus, em apenas 10 dias a cepa Ômicron ganhou dominância relativa ao que a variante Delta precisou de 100 dias. O presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, também disse que é questão de dias para o Brasil registrar a chegada da cepa. “Infelizmente ela vai chegar. Resta saber se será contida”, alertou.

Cientistas defendem medidas como a revisão do fim do uso de máscaras, como São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal já anunciaram. Também cobram passaporte de vacinação para a entrada no país. Mesmo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomenda assim. Entretanto, o presidente Jair Bolsonaro é negacionista declarado e é contra a adoção de tais medidas. Ele mesmo afirma não ter se vacinado, além de já ter espalhado mentiras sobre a segurança e eficácia dos imunizantes.

A rejeição de Bolsonaro às vacinas não encontrou eco sequer em seu eleitorado, De acordo com estimativas do Banco Mundial, o Brasil é o país da América Latina com maior aceitação às vacinas. Segundo o estudo conduzido pela entidade, a hesitação vacinal na América Latina no bloco está em torno de 8%. No Brasil, está em 3%, fato que fica explícito na ampla aceitação das vacinas no país, que já imunizou 65% da população com duas doses e mais de 80% com a primeira.

Variante e novas cepas
Outra informação positiva é que a variante Ômicron pode ser menos severa do que as mutações anteriores. A OMS afirmou ontem (28) que “não há evidências” de que a cepa seja mais perigosa. Uma médica sul-africana que atendeu grande número de pacientes infectados com a variante disse à agência AFP que os sintomas parecem mais brandos. “Quadro clínico não coincide com a Delta”, disse. Ela relatou que se surpreendeu ao notar a ausência de sintomas clássicos como a perda de olfato e paladar. “O que os levou a me consultar foi um grande cansaço, além de dores musculares e coceira na garganta”, disse Angelique Coetzee.

Em setembro, a RBA publicou reportagem com um compilado de informações relevantes sobre a covid-19. Já estava levantada a possibilidade de o vírus se modificar para uma variante menos agressiva e mais contagiosa e, assim, se tornar endêmica. Algo parecido ocorreu com a gripe espanhola em 1918. Após uma cepa original brutal deixar milhões de mortos em todo o mundo, variantes mais leves deixaram de ser uma preocupação, mas seguem até hoje provocando gripe comum através do vírus Influenza A.

Contudo, é cedo para cravar que este será o cenário e o que existe de fato são preocupações com a circulação descontrolada do vírus. No Brasil, “libera geral”. Grandes aglomerações e até mesmo o fim do uso de máscaras. Em países africanos, faltam vacinas e estrutura logistica para imunização. A circulação do vírus, especialmente entre não vacinados, torna países mais pobres “celeiros” de variantes e impede o fim da pandemia. A desigualdade vacinal é tamanha que uma contagem da universidade de Oxford identificou que nos países mais pobres do mundo, a cada 100 pessoas, apenas cinco estão imunizadas.

Balanço
Enquanto a variante Ômicron preocupa e o Brasil aguarda sua chegada, as vacinas seguem apresentando bons resultados. Há 10 dias, a média diária de mortes está abaixo de 250 – hoje, 228. Nas últimas 24 horas, morreram 98 pessoas no Brasil. Desde o início da pandemia, em março de 2020, o país contabiliza mais de 614 mil vítimas, sem contar com ampla subnotificação. Também foram notificados 3.843 novos casos, totalizando 22.084.749, de acordo com o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass).

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